Na manhã desta quarta-feira (21), o programa Primeira Hora recebeu Lisia Suso e a biomédica Thamires Braga do Exame Laboratório para debater as transformações na saúde feminina durante a campanha do Outubro Rosa. As convidadas ressaltaram que a mobilização, iniciada com foco na prevenção do câncer de mama, expandiu-se e tornou-se um mês dedicado à conscientização integral da saúde da mulher, com ênfase no combate ao câncer de colo uterino. Durante a transmissão, as especialistas apresentaram a evolução das técnicas de diagnóstico laboratorial, enfatizando que o Papanicolau tradicional — método com mais de cinco décadas de uso — possui limitações analíticas decorrentes da presença de sangramentos ou processos inflamatórios, o que pode gerar taxas consideráveis de falsos negativos.

Classificação oncogênica do HPV
Ao abordar a biologia do papilomavírus humano, a biomédica Thamires Braga detalhou as diferenças entre as variantes de baixo e alto risco oncogênico que afetam a população. A especialista esclareceu que os tipos de baixo risco não causam malignidade, mas produzem verrugas genitais, orais ou cutâneas que provocam desconforto físico e estético, enquanto as cepas de alto risco oncogênico são as responsáveis pelo desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e neoplasias se não forem rastreadas e acompanhadas clinicamente a tempo. A identificação dessas cepas de alto risco por meio do teste PCR molecular funciona como um divisor de águas no monitoramento ginecológico, permitindo intervenções médicas preventivas muito antes da manifestação de quadros graves. “A gente tem os tipos de baixo risco oncogênico, que não vão causar câncer, mas causam verrugas que trazem um incômodo tanto estético quanto físico. Já as cepas de alto risco são as que precisamos detectar no exame, porque a lesão começa pequena e pode evoluir para um câncer; o resultado positivo é um sinal de alerta para o paciente buscar o acompanhamento médico”, ressaltou Thamires.
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Vacinação na infância, imunização ampliada e a meta de erradicação do câncer
Outro pilar enfatizado pelas convidadas foi a combinação estratégica entre o rastreio molecular e a vacinação precoce para a futura erradicação do câncer de colo de útero nas próximas décadas. As profissionais relembraram que a vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no SUS a partir dos nove anos de idade para meninos e meninas, devendo ser administrada preferencialmente antes do início da vida sexual e de qualquer exposição ao vírus. Elas pontuaram ainda que a rede privada oferece a versão nonavalente, que protege contra nove variantes do vírus, enquanto a rede pública oferece cobertura para quatro das cepas mais prevalentes, reforçando que a imunização pelo sistema público cumpre papel fundamental na proteção coletiva. “O objetivo de unir a detecção do HPV com a vacina é fazer com que nos próximos 20 a 30 anos ninguém mais morra de câncer de colo de útero. A vacinação deve acontecer antes que a pessoa tenha qualquer contato com o vírus, e seja na rede pública ou na particular, o importante é vacinar e não deixar de fazer o acompanhamento”, destacou Lísia Suso.
Compromisso com a prevenção contínua
Lisia Suso e Tamires Braga reforçaram que a falta de acesso às metodologias moleculares mais recentes não deve servir de obstáculo para que as mulheres realizem seus exames anuais de rotina na rede pública de saúde. Lísia ressaltou que o exame de Papanicolau oferecido nos postos municipais continua sendo um instrumento valioso e infinitamente superior à ausência de diagnóstico. As especialistas finalizaram orientando as ouvintes a manterem a consulta médica em dia e a utilizarem a informação como a ferramenta mais eficaz na preservação da vida e da saúde. “Se a pessoa não tem condições de realizar o exame na rede particular, que faça na rede pública mesmo que seja o Papanicolau tradicional, porque fazer o acompanhamento ainda é infinitamente melhor do que não fazer nada. A informação e o cuidado contínuo são os grandes aliados para salvar vidas”, concluiu.



