Agro

Alerta: arroz entra em colapso e consumo desaba 25%

Preço despenca pela metade e produtores estão preocupados com a próxima safra

O mercado do arroz no Brasil enfrenta um momento de profunda instabilidade, caracterizado por uma quase paralisação nas negociações, preços ao produtor que caíram pela metade em um ano e um atraso significativo no plantio da safra 2025/26. Essa conjuntura de fatores está gerando uma fragilidade estrutural que compromete a liquidez e a rentabilidade do setor, conforme avaliação de Evandro Oliveira, analista e consultor da Safras & Mercado. A saca do grão no Rio Grande do Sul, estado responsável pela maior parte da produção nacional, fechou a última semana cotada a R$ 58,66, registrando uma queda de 50,61% em comparação com o mesmo período de 2024.

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Foto: Paulo Lanzetta/ Embrapa

Alerta: arroz entra em colapso e consumo desaba 25%

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A queda acentuada nos negócios foi intensificada pela recente fiscalização eletrônica da tabela de fretes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que elevou os custos de transporte e a insegurança operacional. Segundo Oliveira, essa intervenção logística levou muitas beneficiadoras a suspenderem temporariamente suas operações no mercado físico. O resultado imediato desse movimento é a paralisia comercial, que agrava a falta de liquidez e aumenta a incerteza para os produtores e demais agentes da cadeia.

O plantio da safra 2025/26 também enfrenta severos atrasos, principalmente devido às chuvas intensas e ao solo encharcado que têm predominado no Sul do país. De acordo com o mais recente relatório da Emater/RS-Ascar, apenas 12% da área total projetada no Rio Grande do Sul havia sido cultivada até a semana passada, com a situação mais crítica na Fronteira Oeste. Além dos fatores climáticos, o risco econômico eleva-se à medida que os arrozeiros reduzem o uso de insumos, como resposta à queda dos preços e à escassez de crédito, ameaçando a produtividade das lavouras.

Outro ponto de preocupação é a retração do consumo de arroz no país, que diminuiu 25% em aproximadamente duas décadas, passando de 40 quilos por pessoa ao ano em 2005 para cerca de 30 quilos atualmente. Essa mudança reflete novos hábitos alimentares da população, como menos tempo para cozinhar, maior uso de delivery e consumo de alimentos ultraprocessados, o que impacta o tradicional consumo do arroz com feijão. Para o analista, o setor tem tentado reverter esse quadro com campanhas de incentivo ao consumo, mas esses esforços são vistos como incipientes frente à rápida transformação do comportamento do consumidor.

Diante do cenário desfavorável, agravado por fatores como dólar instável, juros altos e o aumento da presença indiana nas exportações, o setor busca soluções. Denis Nunes, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), sugere ações como linhas de crédito e intensificação de estratégias de exportação. Aos produtores, a recomendação é buscar alternativas de cultivo, renegociar contratos e reduzir a área plantada, enquanto o setor deve pressionar o Governo Federal para fiscalizar importações fora das normas sanitárias e exigir que concorrentes sigam as regras trabalhistas e ambientais brasileiras.

Nunes ainda defende a elevação do preço mínimo do arroz para que ele seja compatível com os custos de produção, além de pedir subvenções (ajudas financeiras) para a comercialização. No âmbito estadual, a sugestão é usar a taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO) para auxiliar no escoamento de mercado, socorrer produtores afetados por enchentes e alterar o regime de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do estado para igualar-se a outras unidades da federação.

Tags: arroz, plantio, Preço, Safra