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Café pode ficar mais barato no segundo semestre de 2026

Previsão de deflação do preço do café está relacionada ao aumento de produção e estabilidade do setor

O preço do café pode cair no Brasil a partir do segundo semestre de 2026, segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Fazenda. A projeção foi divulgada em relatório com as perspectivas macroeconômicas para 2026 e está associada ao aumento da produção no Brasil e em outros grandes países produtores. A expectativa é de que a maior oferta reduza os preços no atacado e contribua para a desaceleração da inflação do produto ao longo do ano.

Café pode ficar mais barato no segundo semestre de 2026. Foto: Canva/Ilustrativa.
Café pode ficar mais barato no segundo semestre de 2026. Foto: Canva/Ilustrativa.

De acordo com a secretaria, o impacto deve ser sentido principalmente no período de maior concentração da colheita, na segunda metade do ano. “No plano doméstico, a safra recorde deve contribuir para a redução dos preços no atacado, sobretudo a partir do segundo semestre de 2026, período de maior concentração da colheita. A transmissão ao consumidor tende a ocorrer de forma gradual ao longo da cadeia produtiva, favorecendo a desaceleração da inflação do item café no IPCA ao longo do ano”, informou a secretaria em nota.

Safra recorde e aumento da oferta global de café

A SPE atribui a possível queda de preços à previsão de safra recorde no Brasil e à ampliação da produção em outros grandes exportadores, como Vietnã, Indonésia e Colômbia.

O crescimento simultâneo da produção nesses países tende a elevar a oferta global do grão e aliviar as pressões nas cotações internacionais, que vinham sendo sustentadas por estoques em níveis historicamente baixos.

Segundo a secretaria, mantido esse cenário, não está descartada a possibilidade de deflação nos preços do café em 2026.

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Repasse ao consumidor depende de câmbio e exportações

Apesar da perspectiva de queda, a intensidade do repasse ao consumidor dependerá de fatores como o comportamento do câmbio e o ritmo das exportações brasileiras. A variação do dólar influencia diretamente o preço interno, já que o café é uma commodity negociada no mercado internacional.

A transmissão da redução de preços do campo ao varejo ocorre de forma gradual e pode variar conforme custos logísticos, estoques e estratégias comerciais das indústrias e supermercados.

Avaliação da indústria

A Associação Brasileira da Indústria de Café também aponta para um ambiente mais estável após dois anos marcados por adversidades climáticas, quebra de safra e estoques reduzidos.

A entidade avalia que a expectativa de produção mais robusta e clima favorável tende a equilibrar o mercado e reduzir oscilações bruscas no varejo. Ainda assim, ressalta que variações pontuais continuam ocorrendo ao longo da cadeia produtiva.

Entre novembro e dezembro de 2025, o preço médio por quilo dos cafés Tradicional e Extraforte recuou R$ 4,58, movimento atribuído à queda no custo da matéria-prima naquele período, segundo dados do setor.

Inflação mais moderada em 2026

O cenário para o café está inserido em um contexto de inflação mais moderada. No relatório divulgado no início do mês, a SPE projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve desacelerar de 4,3% em 2025 para cerca de 3,6% em 2026.

A secretaria pondera que ainda existe risco de pressões pontuais sobre alimentos ao longo do ano, mas avalia que o aumento da oferta agrícola pode contribuir para conter altas mais expressivas.

Se confirmadas as projeções, o café, item presente na rotina da maioria dos brasileiros, pode registrar queda de preços após um período de forte volatilidade no mercado internacional.