Em pleno 2026, Camaquã ainda não possui nenhum percentual de esgoto tratado. Todo o volume gerado no município é lançado sem tratamento adequado, seguindo pela rede pluvial até chegar à Sanga do Passinho e ao Arroio Duro, com impactos ambientais e riscos à saúde pública.

A situação contrasta com o que determina o Marco Legal do Saneamento Básico, que estabelece metas nacionais para o setor. Pela legislação, até 2033, 99% da população brasileira deve ter acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto. A responsabilidade pelo serviço em Camaquã é da Corsan, empresa que detém o contrato de concessão com o município para o abastecimento de água e o esgotamento sanitário. Pelo Marco Legal do Saneamento Básico, a concessionária tem até sete anos para sair de 0% para 90% de esgoto tratado no município.
Investimento inicial de R$ 23 milhões em 2026
Para iniciar a mudança desse cenário, a Corsan anunciou um investimento inicial de R$ 23 milhões no projeto de esgotamento sanitário do município. A principal obra prevista é a construção de uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que será instalada às margens da BR-116, entres os trevos de acesso a cidade. O início das obras está programado para o segundo semestre de 2026.
A primeira fase do projeto contempla a construção da estação de tratamento e a implantação da rede coletora da chamada Bacia 1. Serão 22,7 quilômetros de rede, beneficiando aproximadamente 2,5 mil moradores dos bairros Cohab, Olaria e Getúlio Vargas.

Sistema será implantado em etapas
De acordo com a Corsan, o projeto foi dividido em duas etapas para permitir que o sistema entre em operação de forma mais rápida. A estratégia possibilita o início do tratamento de esgoto enquanto outras frentes de obra ainda estiverem em execução.
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Na fase inicial, a estação terá capacidade para tratar 50 litros de esgoto por segundo, com previsão de entrada em operação em até 18 meses. Na etapa seguinte, será instalada uma segunda estrutura idêntica, ampliando a capacidade total para 100 litros por segundo.
O projeto inclui ainda a construção de uma estação de bombeamento de esgoto, com capacidade de até 150 litros por segundo, responsável por conduzir os efluentes até a estação de tratamento.
Investimento total chega a R$ 195 milhões
Até 2033, o valor total previsto para a implantação completa do sistema de esgotamento sanitário em Camaquã chega a R$ 195 milhões. O montante inclui a ampliação da rede coletora para outras regiões da cidade e a construção de novas estruturas de bombeamento.
Atualmente, a ausência de tratamento adequado faz com que o esgoto doméstico seja despejado diretamente no meio ambiente, agravando a poluição hídrica e elevando os riscos de doenças relacionadas à falta de saneamento.
Impacto na saúde pública
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, para cada R$ 1 investido em saneamento básico, há uma economia de R$ 4 em gastos com saúde pública, reforçando a importância do avanço do setor para a qualidade de vida da população.

Departamento Municipal de Saneamento Básico
A Prefeitura de Camaquã criou o Departamento de Saneamento Básico para fiscalizar e acompanhar a atuação da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), adquirida pelo Grupo Aegea em 2022 em um processo de privatização. O departamento municipal é chefiado pelo engenheiro Rafael de Moura.
Para Rádio Acústica FM, o diretor explicou que o município adota hoje o sistema simplificado de tratamento de esgoto, com fossa séptica, no tratamento primário, e filtro anaeróbio, no secundário. O efluente tratado é lançado na rede de drenagem pluvial.

Segundo Rafael de Moura, o modelo garante proteção sanitária, mas tem limitações. O principal problema é o destino final do esgoto, que acaba sendo encaminhado para sangas e cursos d’água da região, como a Sanga do Passinho, o Arroio Duro e o arroio Capitão Jango.
O diretor alertou ainda para as consequências do descumprimento do Marco Legal do Saneamento. De acordo com ele, a falta de adequação pode gerar sanções administrativas aos municípios e aos prestadores de serviço.
Entre os impactos, está a perda de acesso a recursos federais destinados a investimentos em infraestrutura. A restrição cria entraves junto a agentes financeiros como a Caixa Econômica Federal e o BNDES, principais alternativas de financiamento para obras no setor.
O cenário é de corrida contra o relógio para garantir universalização do serviço.




