safra recorde

Camaquã inicia envio de uvas para Sertão Santana

Com apoio logístico da Prefeitura de Camaquã, produtores enviam primeira carga de 1,5 tonelada para cooperativa

Produtores de uva de Camaquã enviaram, nesta terça-feira (3), a primeira carga de 1,5 tonelada de uva bordô para a Cooperativa Agropecuária de Sertão Santana, marcando o início da comercialização externa da safra de 2026. O envio ocorre a partir da Quinta Monte Castelo, no interior do município, com apoio da Prefeitura de Camaquã no transporte da produção, viabilizado pela Secretaria Municipal da Agricultura.

Carga de 1,5 tonelada de uva produzida em Camaquã. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal.
Carga de 1,5 tonelada de uva produzida em Camaquã. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal.

O volume elevado da colheita deste ciclo superou a capacidade tradicional de comercialização direta e de processamento artesanal nas propriedades familiares. Em anos anteriores, com safras menores, a produção era destinada integralmente à venda in natura ou ao beneficiamento próprio, para a fabricação de sucos, vinhos, cucas e geleias coloniais.

Segundo a produtora Márcia Bugs, da Quinta Monte Castelo, estão previstas quatro viagens para Sertão Santana. Além da carga enviada nesta terça-feira (3), outra remessa de 1,5 tonelada está programada para esta quarta-feira (4), com novas entregas na próxima semana. O volume total pode chegar a 6 toneladas destinadas à cooperativa.

Associação mobiliza produtores e escoamento da safra

A comercialização não se limita a uma única propriedade. Outros produtores associados à Associação dos Fruticultores de Camaquã também estão destinando parte da produção a cooperativas regionais e a indústrias da Serra gaúcha, em razão da safra acima da média.

Atualmente, a associação reúne sete produtores, que mantêm o processamento artesanal de derivados da uva. Apesar da diversificação, não há estrutura para produção em escala industrial, o que reforça a necessidade de canais externos para absorver o excedente.

Clima favorável e assistência técnica elevam produtividade

O desempenho da safra está diretamente ligado às condições climáticas e ao acompanhamento técnico. Produtores relatam que o inverno mais rigoroso contribuiu para o desenvolvimento das videiras e para uma frutificação mais uniforme.

Colheita de uva na Quinta Monte Castelo. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal.

De acordo com o presidente da associação, Mateus Osterberg, a produtividade média é considerada alta para os padrões locais. Cada videira está produzindo cerca de 20 quilos de uva, índice superior ao registrado em safras anteriores.

Além da assistência contínua da Emater, os viticultores receberam orientação do enólogo Tauê Hamm, contratado com recursos da Secretaria Municipal da Agricultura. O trabalho técnico envolveu manejo, colheita e padronização da produção, aspectos decisivos para a aceitação da uva por cooperativas e indústrias.

Márcia Bugs informa que a Quinta Monte Castelo deve colher entre 25 e 30 toneladas de uva nesta safra, um dos maiores volumes já registrados pela propriedade.

Carregamento de uva para Sertão Santana. Fotos: Divulgação/Prefeitura de Camaquã.

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Venda direta não absorve toda a produção

Com a colheita concentrada e volumes elevados, o principal desafio passa a ser a logística e a garantia de mercado. A venda direta ao consumidor segue relevante, mas não é suficiente para absorver toda a produção.

Durante a VII Mostra da Viticultura, realizada no fim de janeiro em Camaquã, os produtores comercializaram mais de 2,2 toneladas de uva in natura, incluindo as variedades bordô, niágara branca, niágara rosada e uva preta, que concentram a maior parte da colheita neste ciclo produtivo.

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