A safra recorde de uva em Camaquã levou produtores locais a buscar mercados fora do município para evitar perdas e garantir a comercialização do excedente. Com produtividade acima da média, parte da colheita já está sendo direcionada para cooperativas da região e para indústrias da Serra gaúcha.

O cenário ficou evidente após a VII Mostra da Viticultura, realizada na quinta-feira (29) e sexta-feira (30), na Praça Zeca Netto. Durante os dois dias de feira, os sete produtores da Associação dos Fruticultores de Camaquã venderam mais de duas toneladas de uva in natura, número considerado elevado para vendas diretas, mas insuficiente para absorver toda a produção da safra.
Um levantamento preliminar da Emater aponta que foram comercializados 2.250 quilos de uva in natura durante a feira, mais que o dobro do volume registrado na edição anterior, quando as vendas somaram 1.085 quilos. Mesmo com o resultado expressivo, os produtores afirmam que há um novo desafio: vender a produção excedente.
As variedades cultivadas incluem uva bordô, niágara branca, niágara rosada e uva preta, que concentram a maior parte da colheita neste ciclo produtivo.
Cooperativas e indústrias absorvem excedente da safra
Em entrevista à Rádio Acústica FM, o secretário municipal de Agricultura, Rogério Duarte, informou que o município atua para viabilizar o escoamento da produção excedente. Segundo ele, parte da uva colhida em Camaquã já está sendo encaminhada para cooperativas de municípios vizinhos, como Sertão Santana.

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Além disso, produtores organizam cargas maiores para entrega em indústrias da Serra gaúcha, estratégia que amplia as possibilidades de comercialização e reduz o risco de desperdício em uma safra acima do padrão histórico.
Os sete produtores da associação também fazem o processamento de derivados da uva, como sucos, vinhos, cucas e geleias, mas os produtos são artesanais e coloniais. Não há capacidade para produção em escala industrial.

Clima e assistência técnica elevam produtividade
O aumento da oferta está diretamente relacionado às condições climáticas e ao acompanhamento técnico. Produtores relatam que o inverno mais rigoroso contribuiu para o desenvolvimento das videiras e para uma frutificação mais uniforme.
O presidente da Associação dos Fruticultores de Camaquã, Mateus Osterberg, afirmou que a produtividade média desta safra é elevada. Segundo ele, cada videira está produzindo cerca de 20 quilos de uva, índice considerado alto para os padrões locais.
Apoio técnico sustenta crescimento da viticultura
Além da assistência da Emater, os produtores receberam orientação do enólogo Tauê Hamm, contratado com recursos da Secretaria Municipal de Agricultura. O trabalho incluiu manejo, colheita e padronização da produção, fatores que influenciam diretamente a aceitação da uva por cooperativas e indústrias.
A produtora Márcia Bugs, da Quinta Monte Castelo, informou que a propriedade deve colher entre 25 e 30 toneladas de uva nesta safra, um dos maiores volumes já registrados pelo empreendimento.
Com a colheita concentrada e volumes elevados, o desafio dos viticultores agora é garantir logística e mercado para o excedente. A venda direta ao consumidor, embora relevante, não absorve a totalidade da produção.
O município estuda a renovação do contrato com o enólogo e avalia novas estratégias para apoiar o setor. A safra recorde reforça o avanço da viticultura em Camaquã, mas também evidencia a necessidade de ampliar canais de comercialização para sustentar o crescimento da atividade.
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