A Corsan vai investir R$ 23 milhões na primeira etapa de implantação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Camaquã, com obras previstas para começar no segundo semestre de 2026 e conclusão até o início de 2027. O projeto foi detalhado nesta quarta-feira (29) pelo diretor institucional da Corsan na Região Sul, André Borges, em entrevista à Rádio Acústica FM. A iniciativa marca o início da universalização do saneamento no município, que atualmente possui baixa cobertura de esgotamento sanitário.

A primeira fase do projeto contempla a construção da ETE e a implantação de 22,7 quilômetros de rede coletora, beneficiando cerca de 2.429 moradores dos bairros Cohab e Olaria. O planejamento foi dividido em duas etapas para permitir que o sistema entre em operação de forma mais rápida, mesmo enquanto outras obras seguem em andamento.
Inicialmente, a estação terá capacidade para tratar 50 litros de esgoto por segundo, volume suficiente para atender à demanda inicial. Posteriormente, será instalada uma estrutura idêntica, ampliando a capacidade total para 100 litros por segundo. Também será construída uma estação de bombeamento, com capacidade para 150 litros por segundo, responsável por conduzir os efluentes até a ETE.

Tecnologia ambientalmente eficiente
A nova estação utilizará lagoas aeradas e lagoas de decantação, método biológico reconhecido por sua eficiência e baixo impacto ambiental. Nas lagoas aeradas, o esgoto recebe oxigenação para estimular micro-organismos que decompõem a matéria orgânica. Já nas lagoas de decantação ocorre a separação dos sólidos, resultando em um efluente tratado dentro dos padrões exigidos pela legislação ambiental.
O projeto executivo está previsto para ser concluído entre novembro e dezembro de 2025, e a contratação das empresas executoras deve ocorrer no primeiro trimestre de 2026, permitindo o início das obras no segundo semestre.
Investimento total de R$ 195 milhões até 2033
O diretor André Borges destacou que o investimento vai além do cumprimento contratual: representa um avanço na qualidade de vida da população, na valorização imobiliária e na geração de empregos. Até 2033, o investimento total no sistema de esgotamento sanitário de Camaquã deve atingir R$ 195 milhões, incluindo novas estruturas e ampliação da rede para outras regiões do município.
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Orientação aos moradores e impacto nas residências
Durante a execução das obras, equipes de Responsabilidade Social da Corsan visitarão os bairros para orientar os moradores sobre as mudanças necessárias nas ligações domiciliares e informar sobre interdições temporárias. A companhia reforça que esse contato direto visa reduzir transtornos e garantir transparência no processo.
As principais adequações exigidas nas residências serão:
- Separação do esgoto doméstico e da drenagem pluvial: calhas e águas de chuva não poderão ser conectadas à rede da Corsan, para evitar sobrecarga e prejuízo ao tratamento biológico.
- Ligação domiciliar à nova rede: os moradores deverão conectar o esgoto doméstico à caixa de ligação instalada na calçada.
- Eliminação de fossas e filtros: imóveis que utilizam sistemas de pré-tratamento deverão desativá-los, direcionando o esgoto bruto à nova rede.
- Instalação e manutenção da caixa de gordura: a medida previne entupimentos e garante o bom funcionamento da rede.
De acordo com o diretor institucional, a Corsan fará visitas porta a porta antes, durante e após as obras, distribuindo materiais explicativos e fiscalizando as ligações. A orientação é que os moradores realizem as adaptações conforme as instruções para garantir o funcionamento adequado do sistema.
Meta de universalização até 2033
O projeto de Camaquã integra o plano da Corsan para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê, até 2033, 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Para alcançar os índices em 317 municípios atendidos, a companhia planeja investir R$ 1,5 bilhão por ano em obras e melhorias estruturais.
O avanço em Camaquã representa um passo estratégico nessa meta nacional, consolidando o município como referência regional em infraestrutura de saneamento. Em Tapes, município vizinho de Camaquã, há uma estação parecida com a que será construída em Camaquã.





