O derrame pleural, conhecido popularmente como “água na pleura”, não é uma doença em si, mas um sinal de que algo mais sério pode estar ocorrendo no organismo. A explicação é do pneumologista Marcelo Mallmann, em entrevista ao programa Primeira Hora desta sexta-feira (29).

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A pleura é uma membrana fina que reveste os pulmões e a parede do tórax. Quando há inflamação, infecção, câncer ou problemas cardíacos, pode se formar líquido nesse espaço, identificado em exames de imagem como raio-X e tomografia.
Segundo o médico, as causas mais comuns variam conforme a idade. Em jovens, predominam pneumonia e tuberculose pleural. Em idosos, além da pneumonia, aumentam os casos relacionados a câncer. Doenças cardíacas e problemas no fígado também podem provocar acúmulo de líquido.
O diagnóstico começa por exames de imagem. Quando o derrame é confirmado, o paciente passa por punção, procedimento em que uma amostra do líquido é retirada e enviada para análise. A comparação com o sangue indica se a origem é mecânica (transudato) ou inflamatória/infecciosa (exsudato).
O tratamento depende da causa. “Se for insuficiência cardíaca, tratamos o coração. Se for tuberculose, usamos os medicamentos específicos. Em casos de câncer, muitas vezes é preciso drenar o líquido e realizar um procedimento que cola as pleuras para evitar novas recidivas”, explicou Mallmann.
O especialista destacou ainda o avanço dos equipamentos de imagem e o papel da inteligência artificial no apoio ao diagnóstico. “Hoje conseguimos filtrar milhares de imagens e identificar alterações que, em alguns casos, superam a sensibilidade do olhar humano”, disse.
Mallmann reforçou a importância de procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes, como falta de ar ou dor no peito. “O derrame pleural sempre exige investigação, porque revela que há uma doença por trás”, concluiu.



