Contra os alagamentos

Entenda detalhes sobre como será o projeto “Cidade Esponja” em Camaquã

Iniciativa pretende retardar o fluxo de água decorrente das chuvas fortes

Camaquã está prestes a implementar uma estratégia com o objetivo de mitigar os danos causados pelas chuvas intensas. Conforme apurado pela reportagem junto a Secretaria de Infraestrutura, a cidade aderiu ao conceito de “Cidade Esponja”, um projeto que visa gerenciar o escoamento das águas pluviais de forma mais eficiente.

Entenda detalhes sobre como será o projeto "Cidade Esponja" em Camaquã
Foto: Valério Weege/Rádio Acústica FM

A iniciativa, que chamou a atenção em um evento com técnicos e especialistas em Rio Grande, busca soluções sustentáveis para um problema crônico enfrentado pelos moradores em períodos chuvosos, como os alagamentos recorrentes no Centro e em bairros como Getúlio Vargas. O objetivo é testar e aplicar essa nova abordagem para dar o primeiro passo na resolução dos desafios de drenagem urbana.

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A mecânica da “Cidade Esponja”: retardando o fluxo

A essência do projeto reside em reduzir a velocidade com que a água da chuva atinge a rede de drenagem e, consequentemente, a Sanga do Passinho, ponto final de escoamento. Atualmente, o asfalto e as superfícies pavimentadas impedem a absorção natural, fazendo com que o volume de água chegue rapidamente às tubulações, que se sobrecarregam em poucos minutos.

Para resolver isso, serão instalados drenos laterais em toda a extensão de algumas ruas específicas, ao lado do meio-fio, que atuarão como caixas de retenção. Este mecanismo simples, mas engenhoso, assegura que a água escoe de forma gradual, dando tempo para o sistema dar vazão ao volume.

O Funcionamento Detalhado do Novo Sistema de Drenagem

Com a implantação do “Cidade Esponja”, em vez da água ser coletada imediatamente pelas bocas de lobo em alta velocidade, o novo sistema prevê a instalação de uma estrutura de retenção. Essa estrutura é composta por uma vala preenchida com pedra graduada e um tubo de drenagem perfurado, similar aos usados em jardins.

Sobre o conjunto, será colocada uma camada protetora (capa de dreno) para evitar a entrada de lixo e uma tampa com orifícios, que se assemelha a um ralo de chuveiro. A água penetrará ali, preencherá o dreno e só então seguirá lentamente para o bueiro. Isso fará com que o fluxo, que hoje chega a gerar ondas na Avenida Presidente Vargas, seja muito mais brando, chegando ao destino final no tempo exato para não causar transbordamentos.

Desafios e Próximos Passos para Camaquã

A implementação do projeto “Cidade Esponja” não resolverá, sozinha, todos os problemas de drenagem, especialmente diante de volumes de chuva extremos, como os que chegam a 100 milímetros em uma única hora. Contudo, ele é visto como o início de uma série de medidas.

Um dos grandes desafios atuais é a ausência de separação entre a rede de esgoto e a rede pluvial, o que agrava os alagamentos, uma vez que as águas se misturam e sobrecarregam o sistema. Com a garantia de recursos por parlamentares, o próximo passo da prefeitura, após ser a primeira cidade a aderir, é elaborar um projeto detalhado para saber como as obras serão executadas e qual a forma ideal de iniciar essa importante intervenção.

Tags: alagamentos, Camaquã, chuvas, Cidade Esponja