Durante a abertura da 48ª Expointer, feira agropecuária realizada no Parque Assis Brasil, em Esteio (RS), o governador Eduardo Leite (PSD) foi o principal alvo de vaias de agricultores endividados. A mobilização visava cobrar medidas do governo federal, mas concentrou críticas no Executivo estadual. Leite reconheceu a legitimidade do protesto e reagiu com firmeza. “Não tem problema em me vaiar”, afirmou, citando episódios semelhantes em sua trajetória política. Ele lembrou ter sido vaiado como vereador, prefeito de Pelotas e, ainda assim, reeleito governador. Conforme o público, entre os manifestantes havia parlamentares gaúchos como Marcel van Hattem e Luciano Zucco. Mesmo sob vaias, disse, seguirá defendendo o que considera justo.

Eduardo Leite disse que grupos utilizaram politicamente o movimento
Eduardo Leite acusou grupos de tentar “usar politicamente” o movimento, sem avançar na renegociação das dívidas rurais. Segundo ele, a indignação dos produtores é real, mas não pode ficar ofuscada por interesses eleitorais. O governador dirigiu-se também a ministros do governo federal presentes à cerimônia. A mobilização incluiu faixas, apitos e balões pretos, símbolos de luto pelos agricultores que tiraram a vida em função do endividamento. Representantes apontam que ao menos 24 produtores gaúchos cometeram suicídio nos últimos anos. Coroas de flores foram colocadas na pista central em homenagem às vítimas. O protesto transcorreu de forma pacífica.
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O governador destacou ainda medidas do Estado voltadas ao setor. Entre elas, a redução de 50% nos casos de roubo de gado — conhecidos como abigeato — e investimentos em melhorias de estradas rurais. Ele mencionou a simplificação dos processos de irrigação, para agilizar licenças e documentação. Citou também aporte de R$ 150 milhões pelo Banrisul, banco estadual, para prorrogação de dívidas rurais. Conforme Leite, o Rio Grande do Sul mantém o maior programa de recuperação de solos do país. Segundo o governador, essas ações oferecem condições melhores para o produtor enfrentar a crise.
Eduardo Leite cobrou do governo federal uma resposta mais ampla para a crise do agronegócio. Ele citou a Medida Provisória que libera R$ 12 bilhões para renegociação de débitos agrícolas, com juros de 6% a 10% ao ano. A norma, em vigor provisório com força de lei, ainda depende de aprovação no Congresso para vigorar em definitivo. O governador admitiu que o valor anunciado pode ser insuficiente e se comprometeu a buscar aprimoramento da medida no Senado. Ele ressaltou que o Estado está à disposição para colaborar nas discussões. O anúncio federal ocorreu poucas horas antes da abertura da Expointer.
Os manifestantes defenderam também a aprovação do Projeto de Lei 5.122/2023, que trata da securitização das dívidas rurais. A proposta prevê extensão do prazo de pagamento para até 15 anos, com carência de três anos antes do início das parcelas. A securitização consiste na transferência de parte das dívidas a empresas do mercado financeiro, que passam a gerenciar a renegociação. O texto aguarda votação no Senado. Organizado por associações de produtores, o protesto ocorreu de forma pacífica nas arquibancadas e na pista central. Faixas, apitos, balões pretos e coroas de flores simbolizaram o luto pelos agricultores que perderam a vida em função de dívidas.





