SAÚDE

Especialista esclarece diferenças entre deformidade craniana e craniossinostose

Neurocirurgião explicou quando o uso de órtese craniana é recomendado e alertou para casos que exigem cirurgia

A preocupação de pais e familiares com o desenvolvimento dos bebês foi tema de uma entrevista esclarecedora concedida nesta segunda-feira (21) pelo neurocirurgião pediátrico Dr. Samir Cezimbra dos Santos à Rádio Acústica FM. O especialista abordou as principais causas das deformidades cranianas em crianças, explicou quando o uso do chamado “capacete” é indicado e destacou a importância do acompanhamento médico nos primeiros meses de vida.

Especialista esclarece diferenças entre deformidade craniana e craniossinostose
Foto: Acústica FM

O assunto ganhou repercussão após relatos de famílias da região que buscam orientações sobre alterações no formato da cabeça de bebês e possíveis impactos no desenvolvimento infantil. Durante a conversa, o médico ressaltou que é fundamental diferenciar os tipos de deformidades cranianas para evitar preocupações desnecessárias e garantir o tratamento adequado quando necessário.

Segundo o neurocirurgião, a maioria dos casos observados na infância está relacionada às chamadas deformidades posicionais. Elas surgem porque os ossos do crânio dos bebês ainda são maleáveis e podem sofrer alterações em função da posição em que a criança permanece por longos períodos.

“Desde que passou a ser recomendado que os bebês durmam de barriga para cima, uma medida importante para reduzir casos de morte súbita, observamos um aumento dessas deformidades posicionais”, explicou.

De acordo com o especialista, na maior parte das situações a própria evolução natural da criança contribui para a correção do formato do crânio. Mudanças de posição, estímulos adequados e, em alguns casos, fisioterapia costumam ser suficientes para a melhora do quadro.

Capacete não é indicado para todos os casos

Um dos pontos enfatizados pelo médico foi a indicação criteriosa da órtese craniana, popularmente conhecida como capacete. Segundo ele, o recurso deve ser utilizado apenas em situações específicas, quando a deformidade é considerada significativa e não apresenta melhora após meses de tratamento conservador.

“O capacete pode acelerar a harmonização do formato da cabeça, mas não significa que a criança não vá melhorar sem ele”, destacou.

Dr. Samir observou que muitas famílias associam automaticamente qualquer alteração craniana à necessidade do equipamento, quando, na realidade, a maioria dos casos não exige essa intervenção.

Quando a situação exige mais atenção

O especialista alertou que existe um grupo de deformidades mais raras e potencialmente graves, conhecidas como craniossinostoses. Nesses casos, ocorre o fechamento precoce das suturas cranianas, estruturas que permitem a expansão do cérebro durante o crescimento da criança.

Diferentemente das deformidades posicionais, a craniossinostose pode comprometer o desenvolvimento cerebral e, por isso, requer avaliação especializada e tratamento cirúrgico.

“Quando identificada precocemente, é possível realizar procedimentos menos invasivos. Por isso, o diagnóstico rápido faz toda a diferença”, afirmou.

Primeiro passo é procurar o pediatra

Para pais que percebem alterações no formato da cabeça do bebê ou apresentam dúvidas sobre o desenvolvimento da criança, a recomendação inicial é procurar um pediatra. O profissional poderá avaliar o caso e, se necessário, encaminhar para um neurocirurgião pediátrico.

O médico também esclareceu que sinais como atraso para sustentar a cabeça, dificuldades motoras ou problemas na sucção nem sempre estão relacionados às deformidades cranianas, exigindo uma investigação mais ampla.

Especialidade ainda é concentrada nos grandes centros

Durante a entrevista, Dr. Samir também comentou sobre a dificuldade de acesso à neurocirurgia pediátrica em regiões do interior. Segundo ele, além da formação altamente especializada, os procedimentos dependem de hospitais estruturados, equipes treinadas e suporte intensivo para o atendimento infantil.

No Rio Grande do Sul, os principais centros de referência pelo SUS para esse tipo de atendimento estão localizados em Porto Alegre, incluindo o Hospital da Criança Santo Antônio, Hospital da Criança Conceição, Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas e Hospital de Clínicas.

Ao final da entrevista, o especialista reforçou que a observação atenta dos pais e a busca por orientação médica diante de qualquer dúvida são fundamentais para garantir um acompanhamento adequado e evitar diagnósticos tardios.

Confira a participação do neurocirurgião especialista em cirurgia craniana

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