O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, afirmou que houve avanços nas tratativas com o Ministério da Agricultura e Pecuária após reunião realizada em Brasília para discutir demandas do setor orizícola. A declaração foi feita durante entrevista concedida na manhã desta sexta-feira (13) à Rádio Acústica FM.

O encontro com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ocorreu após articulação do deputado federal Paulo Pimenta, que esteve recentemente nos estúdios da emissora em Camaquã e se comprometeu a intermediar o diálogo entre as entidades do setor e o governo federal.
Segundo Denis Nunes, a reunião reuniu representantes de entidades ligadas à cadeia produtiva do arroz, cooperativas, a Federarroz, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e integrantes do sistema financeiro. Entre os participantes também estiveram representantes do Banco do Brasil, Sicredi, Banrisul e Sicoob, além de secretários do Ministério da Agricultura.
Um dos principais temas debatidos foi a possibilidade de alongamento dos contratos de custeio da safra, medida que poderia reduzir a pressão de venda do arroz durante o período de colheita. Conforme Nunes, a proposta defendida pelas entidades é que os produtores tenham mais prazo para pagamento das parcelas sem alteração das condições originais dos contratos.
De acordo com o dirigente, a intenção é garantir que eventuais prorrogações mantenham os juros contratados nos financiamentos com recursos controlados, evitando reajustes que poderiam ocorrer caso os contratos fossem transferidos para linhas de crédito com recursos livres.
“O que nós queremos é o alongamento dentro do próprio contrato, mantendo os juros vigentes. Assim o produtor tem a possibilidade de decidir o melhor momento para comercializar o arroz, sem a necessidade de vender imediatamente para cumprir os vencimentos”, explicou o presidente da Federarroz.
Nunes destacou que os financiamentos de custeio geralmente têm prazo de até 14 meses após a contratação, o que faz com que muitas parcelas vençam justamente durante o período de safra. Para o setor, ampliar esse prazo pode contribuir para um equilíbrio maior na comercialização.
Durante a reunião mais recente em Brasília, realizada com secretários do Ministério da Agricultura e representantes do sistema financeiro, os bancos demonstraram abertura para avaliar a ampliação do parcelamento dos contratos que vencem entre março e maio.
“O encontro foi positivo. Houve boa vontade tanto do governo quanto das instituições financeiras em analisar essa alternativa”, afirmou.
Além da questão do crédito rural, a Federarroz também acompanha outras pautas junto ao governo federal, entre elas o avanço na fiscalização da classificação do arroz comercializado no país. Segundo Nunes, estudos da entidade apontam divergências entre a classificação indicada nos pacotes e a qualidade do produto efetivamente encontrado pelo consumidor.
Outra demanda do setor envolve a regulamentação de mecanismos de subvenção para o escoamento da produção, tema que ainda depende da publicação de portaria por parte do governo federal.




