política

“Vamos parar de nos enganar”, diz General Mourão sobre áreas dominadas pelo crime no Brasil

Em entrevista ao Primeira Hora desta quinta (11), o Senador questionou a soberania nacional diante do avanço de facções e defendeu o uso de inteligência dos Estados Unidos para asfixiar o mercado financeiro do crime

O programa Primeira Hora desta quinta-feira (11) recebeu o Senador General Mourão (PODEMOS) para uma análise aprofundada sobre os rumos políticos e econômicos que desenham o atual cenário brasileiro. Com sua experiência na esfera pública e militar, o parlamentar trouxe ao debate reflexões críticas sobre temas que afetam diretamente o mercado, a produção nacional e a segurança pública.

"Vamos parar de nos enganar", diz General Mourão sobre áreas dominadas pelo crime no Brasil
Foto: Agência Senado

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

O impacto econômico da liberdade contratual

Ao avaliar a proposta que visa colocar um fim na escala de trabalho 6×1, o senador manifestou uma forte oposição por acreditar que o tema vem sendo tratado de forma apressada e inadequada. Para ele, o momento e as características do mercado nacional tornam a medida arriscada, uma vez que o Brasil já convive com uma informalidade elevada e baixa produtividade. Mourão destacou que o projeto atinge diretamente o princípio da negociação direta entre as partes, alertando para consequências severas no bolso dos cidadãos e na oferta de vagas. Segundo ele, a pauta sobre a mudança na escala é “uma discussão que fere o que eu considero que é o fundamental na relação entre o empregado e empregador, que é a liberdade contratual“.

Os desafios do agronegócio

A crise enfrentada pelo setor agropecuário e a tramitação do projeto de renegociação de dívidas também ganharam destaque na entrevista, momento em que o convidado detalhou os bastidores da articulação política em Brasília. Mourão explicou que o Rio Grande do Sul precisou buscar apoio das demais regiões produtoras para dar andamento ao pacote de medidas, já que as soluções apresentadas pelo governo federal falharam em pontos essenciais como taxas de juros elevadas e a falta de garantias. Além disso, ele chamou a atenção para o nível agressivo de competitividade internacional, mencionando o pragmatismo da China para alcançar a autossuficiência e o impacto disso para os agricultores brasileiros. O senador fez um paralelo direto sobre o modelo de produção asiático e a burocracia local ao afirmar que “Na China não tem Ministério Público, não tem IBAMA… o cara diz que vai fazer e faz”, reforçando que o Brasil não pode desperdiçar oportunidades de inserção global.

Limites da soberania

A segurança pública e a complexidade do controle de fronteiras contra o crime organizado guiaram as declarações do ex-militar. O senador avaliou de forma positiva a inclusão de facções criminosas brasileiras em listas de terrorismo pelos Estados Unidos, enxergando a medida como uma oportunidade de fortalecer o intercâmbio de inteligência e o combate à lavagem de dinheiro. Mourão finalizou com uma dura crítica à gestão governamental e ao discurso de proteção à soberania, argumentando que o Estado falha gravemente ao perder o controle de áreas urbanas e periféricas para o poder paralelo. Ao rebater a retórica oficial sobre o tema, ele questionou de maneira incisiva: “como ele vai falar de soberania se ele não controla espaços dentro do território brasileiro onde a polícia só entra matando ou morrendo? Então vamos parar de nos enganar”, concluiu Mourão.

; ?>