Saúde

Hospitais entram em alerta por casos de intoxicação por metanol no País

Oftalmologista do Banco de Olhos São Pietro, Marcela Bordaberry alerta que o consumo de bebidas adulteradas com metanol pode causar cegueira irreversível e até a morte

O aumento de casos suspeitos de intoxicação por metanol levou hospitais e autoridades de saúde a reforçar os alertas sobre bebidas alcoólicas adulteradas. A substância, usada de forma ilegal na produção de destilados, pode causar cegueira e até a morte.

Falha na destilação aumenta risco de metanol em bebidas alcoólicas. Foto: Governo do SP/Divulgação.
Falha na destilação aumenta risco de metanol em bebidas alcoólicas. Foto: Governo do SP/Divulgação.

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A médica oftalmologista Marcela Bordaberry, do Banco de Olhos São Pietro, em Porto Alegre, explica que o metanol, ao ser metabolizado pelo fígado, libera ácido fórmico — composto altamente tóxico para o sistema nervoso central e os nervos ópticos. “O paciente pode apresentar dor abdominal intensa, dor de cabeça e alterações visuais entre seis e 24 horas após o consumo”, afirma.

Os sintomas iniciais são semelhantes a uma ressaca forte, mas evoluem rapidamente. Segundo a especialista, o atendimento imediato é essencial para tentar evitar a cegueira permanente. “O tempo entre a ingestão e o tratamento é decisivo”, destaca a oftalmologista.

O tratamento indicado segue orientações do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e inclui etanol endovenoso, fomepizol — considerado o antídoto mais eficaz —, corticoides, vitaminas do complexo B e, em alguns casos, eritropoietina. O medicamento fomepizol, importado com autorização do Ministério da Saúde, é distribuído conforme a necessidade de cada estado.

Até o momento, o Rio Grande do Sul investiga dois casos suspeitos de intoxicação. O Hospital Banco de Olhos São Pietro informou estar preparado para receber pacientes encaminhados de emergências gerais, que tratam inicialmente o risco de morte antes das complicações visuais.

O alerta nacional foi reforçado após mais de 200 casos suspeitos em todo o País. São Paulo concentra a maior parte das ocorrências, mas o mapa de risco já inclui outros estados. A orientação médica é clara: ao perceber sintomas atípicos após o consumo de bebidas alcoólicas, a pessoa deve procurar atendimento urgente.

De acordo com dados dos Médicos Sem Fronteiras, mais de 12 mil pessoas morreram no mundo nas últimas duas décadas por intoxicação com metanol, com destaque para a Ásia, onde a destilação caseira é comum.

“A população precisa desconfiar de qualquer bebida de origem duvidosa. O metanol é invisível, mas seus efeitos são devastadores”, alerta Marcela.

Assista a entrevista com a oftalmologista Marcela Bordaberry, do Hospital Banco de Olhos São Pietro

Tags: Brasil, intoxicação, metanol, Saúde