As internações por fimose no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram 81% entre adolescentes entre 2015 e 2025, segundo dados divulgados pela Folha de S.Paulo. O crescimento preocupa médicos, que associam o problema à falta de diagnóstico precoce e à ausência de acompanhamento especializado durante a infância.

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Em entrevista, o urologista Rafael Fraga explicou que a fimose é a dificuldade de expor a glande — a cabeça do pênis — por estreitamento do prepúcio, a pele que a recobre. “Nos casos leves, causa dor durante a relação sexual. Nos severos, a cabeça não sai nem um pouco”, afirmou.
Segundo o médico, o quadro pode afetar desde recém-nascidos até idosos. “Atendi recentemente um paciente de 78 anos com fimose. É mais comum do que se imagina”, disse. A condição, quando não tratada, pode provocar feridas, infecções e dor ao urinar.
O especialista observa que, até os cinco anos de idade, o problema costuma se resolver naturalmente. Após essa fase, a persistência exige atenção médica. “A maioria das crianças é acompanhada apenas pelo pediatra, que muitas vezes não examina o pênis com a frequência necessária. Passou dos cinco anos, e não houve melhora, é hora de procurar o urologista”, recomendou.
Entre as complicações mais comuns estão infecção urinária e dificuldade para urinar. Em alguns casos, pode ocorrer a parafimose, quando a pele que recobre a glande fica presa e o pênis incha, exigindo intervenção imediata. “É uma urgência urológica. Usamos anestésico e reposicionamos a pele manualmente para evitar danos maiores”, explicou Fraga.
Para o médico, o aumento das cirurgias entre jovens reflete uma falha na identificação do problema ainda na infância. “Esses meninos cresceram sem diagnóstico. Na adolescência, o incômodo e as feridas levam à busca por tratamento cirúrgico, geralmente feito em ambiente hospitalar”, concluiu.



