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Quase metade dos camaquenses vivem em regiões com obstáculos em calçadas

Censo 2022 do IBGE revela deficiências de acessibilidade e mobilidade urbana em Camaquã

Quase metade dos moradores de Camaquã enfrenta dificuldades para circular nas calçadas da cidade. Segundo dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 39,3% da população vive em locais com obstáculos nas calçadas, enquanto 71,3% das vias não possuem rampas para cadeirantes. Além disso, 17,6% dos camaquenses residem em áreas onde as calçadas simplesmente não existem.

Quase metade dos camaquenses vivem em regiões com obstáculos em calçadas. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.
Quase metade dos camaquenses vivem em regiões com obstáculos em calçadas. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.

Os dados fazem parte do estudo Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios, que avaliou as condições de infraestrutura urbana no país. Em Camaquã, o levantamento apontou ainda que 45,38% dos moradores vivem em ruas sem pavimentação, o que também afeta o acesso a serviços básicos e a qualidade de vida da população.

Segundo o IBGE, apenas 11% dos domicílios do município estão em ruas com rampas de acessibilidade, um índice considerado baixo para os padrões de acessibilidade urbana.

Obstáculos no caminho dos pedestres

Entre os principais obstáculos identificados nas calçadas estão buracos, desníveis, vegetação, mobiliário urbano mal posicionado e entradas de garagem irregulares. Esses problemas, além de restringirem a circulação de pedestres, aumentam o risco de quedas e acidentes.

Para o IBGE, a presença de obstáculos representa um desafio à mobilidade segura e inclusiva, sobretudo em cidades médias como Camaquã.

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Transporte público e ciclovias ainda são exceção

O estudo também mostra deficiências na infraestrutura de transporte. Mais de 99% das vias da cidade não possuem sinalização para ciclistas, o que desestimula o uso de bicicletas como meio de transporte alternativo.

Além disso, 85,6% das ruas não contam com paradas de ônibus ou vans, dificultando o acesso ao transporte público, especialmente para moradores de bairros mais afastados.

Mesmo assim, 98,4% das vias comportam veículos pesados, como caminhões e ônibus.

Iluminação e drenagem mostram bons resultados

Nem todos os indicadores são negativos. O IBGE aponta que 98,7% dos domicílios camaquenses estão em ruas com iluminação pública, um fator importante para a segurança e o bem-estar da população.

Outro ponto positivo é o sistema de drenagem: 83,9% das residências estão em locais com bueiros ou bocas de lobo, o que reduz o risco de alagamentos e o acúmulo de água parada.

No quesito arborização, 43% dos moradores vivem em áreas com cinco ou mais árvores no entorno, um dado que, embora abaixo do ideal, indica avanço em práticas urbanas sustentáveis.

Planejamento urbano é desafio para o poder público

Os dados do Censo servem como ferramenta estratégica para a formulação de políticas públicas. Ao revelar as carências estruturais do município, o levantamento oferece subsídios para que gestores priorizem investimentos em pavimentação, acessibilidade e mobilidade urbana.

A adequação das calçadas, a instalação de rampas, a criação de ciclovias e o fortalecimento do transporte coletivo estão entre as medidas apontadas como essenciais para tornar Camaquã uma cidade mais acessível, segura e inclusiva.

Retrato ampliado das cidades brasileiras

A pesquisa Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios avaliou mais de 63 milhões de residências em todo o país, abrangendo 174 milhões de brasileiros que vivem em áreas urbanas ou com características urbanas.

O levantamento amplia a compreensão sobre as condições de infraestrutura no Brasil, destacando desigualdades regionais e a urgência de políticas voltadas à mobilidade e acessibilidade.

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