SAÚDE

NR-1: nova regra exige avaliação de riscos psicossociais nas empresas e reforça cuidados com saúde mental

Engenheiro de Segurança do Trabalho detalha como funciona a avaliação dos riscos psicossociais e quais medidas devem ser adotadas

A entrada em vigor das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), no último dia 26 de maio, trouxe um novo desafio para empresas de todos os portes: a identificação e gestão dos chamados riscos psicossociais no ambiente de trabalho. O tema foi abordado nesta sexta-feira (05) pelo engenheiro especialista em Segurança do Trabalho do Grupo Mediare, Victor Szczepaniak, durante entrevista concedida à Rádio Acústica FM.

NR-1: nova regra exige avaliação de riscos psicossociais nas empresas e reforça cuidados com saúde mental
Foto: Alice Campos/Acústica FM

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Segundo o especialista, a atualização representa mais um avanço na área da saúde e segurança ocupacional, seguindo uma trajetória de medidas que, ao longo das últimas décadas, contribuíram para a redução de acidentes e a melhoria das condições de trabalho em diversos setores.

Com 19 anos de atuação na área, o Grupo Mediare acompanha as mudanças promovidas pela legislação trabalhista e destaca que a nova exigência amplia o olhar das empresas para além dos riscos físicos e operacionais. Agora, também passa a ser obrigatória a avaliação de fatores que possam impactar a saúde mental dos trabalhadores.

De acordo com Szczepaniak, a proposta da NR-1 não está focada em avaliar individualmente se um funcionário está apto ou inapto para determinada função, mas sim em identificar condições organizacionais que possam gerar estresse excessivo, ansiedade ou outros transtornos relacionados ao trabalho.

“O objetivo é olhar para dentro da empresa, entender como o trabalho está organizado e verificar se existem fatores que possam estar prejudicando a saúde mental dos colaboradores”, explicou.

O processo envolve a análise de três aspectos principais: o trabalhador, o cargo ocupado e a organização da empresa. Para isso, são realizadas entrevistas, aplicação de questionários e conversas tanto com colaboradores quanto com gestores.

O especialista ressaltou que funções semelhantes podem apresentar realidades distintas dependendo da cultura organizacional e da forma como o trabalho é conduzido. Questões como definição clara de responsabilidades, metas alcançáveis, treinamentos adequados e suporte da gestão passam a ter papel fundamental na prevenção de problemas psicossociais.

Entre os exemplos citados estão profissões naturalmente expostas a situações de pressão e estresse, como professores e profissionais da área comercial. Nesses casos, a análise busca identificar quais medidas podem ser adotadas para reduzir impactos negativos e oferecer maior suporte aos trabalhadores.

Outro ponto importante destacado durante a entrevista é a avaliação do chamado nexo entre a atividade profissional e possíveis adoecimentos relacionados à saúde mental. A partir da análise conjunta do ambiente, da função desempenhada e das condições de trabalho, será possível verificar se determinados fatores podem ter contribuído para o surgimento de transtornos psicológicos.

Para Szczepaniak, a principal mudança está na necessidade de as empresas promoverem ambientes mais transparentes e organizados, garantindo que os trabalhadores compreendam suas funções, tenham acesso aos recursos necessários para desempenhá-las e recebam orientações claras sobre as expectativas da organização.

A nova etapa da NR-1 reforça a tendência de valorização da saúde mental no ambiente corporativo, transformando o tema em pauta permanente para empregadores e trabalhadores nos próximos anos.

Confira as orientações sobre a NR-1

; ?>