Plano de Resiliência Climática

Pelotas quer plantar 1 milhão de árvores em dez anos para enfrentar efeitos da crise climática

Plano estabelece ações para reduzir ilhas de calor, melhorar a qualidade da água e ampliar a proteção ambiental em regiões com maior déficit de infraestrutura

Pelotas lançou seu primeiro Plano de Resiliência Climática para ampliar a arborização urbana, recuperar nascentes e preparar a cidade para eventos extremos. A meta é plantar 1 milhão de árvores até 2034, sendo 750 mil até 2028. O plano foi apresentado durante a Conferência Sul sobre Mudanças Climáticas (COPSUL) e detalhado pelo secretário de Qualidade Ambiental, Márcio Souza.

Pelotas planta mais de mil árvores em 2025 e projeta ampliar arborização urbana. Foto: Divulgação/Prefeitura de Pelotas.
Pelotas planta mais de mil árvores em 2025 e projeta ampliar arborização urbana. Foto: Divulgação/Prefeitura de Pelotas.

O plano estabelece ações para reduzir ilhas de calor, melhorar a qualidade da água e ampliar a proteção ambiental em regiões com maior déficit de infraestrutura. As primeiras etapas serão executadas nos bairros mais vulneráveis, como o Dunas, escolhidos por concentrarem altas temperaturas e pouca cobertura vegetal.

Segundo dados apresentados na entrevista ao programa Contraponto, da RádioCom, Pelotas tem 3,5 árvores por habitante, abaixo do recomendado por organismos internacionais, que sugerem 12 a 15. A meta é alcançar entre 7,5 e 9 árvores por pessoa em dez anos.

O plano também prevê o plantio de espécies nativas e frutíferas, para recuperar biodiversidade e ampliar o acesso a alimentos. A gestão argumenta que áreas com vegetação adequada apresentam menor incidência de doenças respiratórias e oferecem maior conforto térmico.

Corredores ecológicos e cinturão verde para reduzir temperatura

A recuperação de nascentes é um dos eixos centrais. A proposta é reflorestar áreas rurais e privadas que abastecem os arroios Santa Bárbara, Pelotas e São Gonçalo. No futuro, produtores poderão ser remunerados por serviços ambientais, inclusive por meio de créditos de carbono.

A partir dessas áreas, será formado um cinturão verde no entorno do perímetro urbano, que funcionará como barreira ecológica. Dali partirão os corredores verdes, conectando vias estruturais, praças e bairros populares. A expectativa é reduzir a temperatura média da cidade em até 2 °C e criar áreas de convivência com vegetação adequada ao clima local.

Ações para proteger recursos hídricos

Com mais mata ciliar, o município busca diminuir o assoreamento dos arroios e melhorar o armazenamento de água no verão. A retenção da chuva no inverno também deve ajudar a evitar alagamentos. O conceito segue diretrizes da gestão hídrica baseada na natureza, adotada por cidades com desafios semelhantes.

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Reativação do Horto Municipal e produção de mudas de árvores

Para cumprir o cronograma de plantio, a Prefeitura está reativando o Horto Municipal, antes sem capacidade de operação. A previsão é triplicar o número de mudas doadas, chegando a 10 mil anuais a partir de 2026.

Um Plano Diretor de Arborização Urbana, previsto para 2026, vai mapear a vegetação, orientar novos plantios e oferecer suporte técnico à população. O documento deve padronizar espécies, manejo e manutenção.

Há ainda tratativas com o DNIT para a entrega de 250 mil mudas como compensação pela duplicação da BR-116. Outras 60 mil a 70 mil serão obtidas por meio de termos de compromisso ambiental da construção civil.

Transição energética e laboratório ambiental

O plano inclui estudos para introdução de ônibus elétricos no transporte público. Também está prevista a criação de um laboratório ambiental, em parceria com o IFSul, para análise de solo, água e ar, ampliando o monitoramento climático.

Disputa em torno do COMPAM

O secretário Márcio Souza criticou a atual composição do Conselho Municipal de Proteção Ambiental (COMPAM). Segundo ele, o órgão está dominado por interesses empresariais e não representa adequadamente as instituições científicas.

A Prefeitura enviou à Câmara de Vereadores um projeto para reorganizar o conselho com oito representantes do poder público, oito da sociedade civil e oito do setor empresarial e sindical. A proposta recebeu uma emenda que, segundo Souza, pode beneficiar grupos políticos específicos e reduzir a pluralidade de vozes.

O gestor citou Porto Alegre como exemplo de risco, ao lembrar que, mesmo após os eventos climáticos extremos de 2024, o plano diretor aprovado na capital manteve incentivos à construção em áreas sensíveis.

Conselho do Plano Diretor volta a funcionar

A Prefeitura também está reativando o Conselho do Plano Diretor, inativo há anos. A comissão eleitoral já está aberta e será responsável por organizar a nova composição. O conselho acompanhará temas como mobilidade, habitação e uso do solo.

As discussões sobre a atualização do Plano Diretor de Pelotas devem ocorrer entre 2027 e 2028. A administração pretende garantir participação técnica e comunitária para orientar decisões urbanísticas de longo prazo.

Para o secretário, a participação da população é essencial para consolidar políticas ambientais duradouras.