O skatista Roger Matheus Freitas de Oliveira, de 27 anos, decidiu descer o mapa de skate, do Rio Grande do Sul até Ushuaia, na Argentina. A viagem, iniciada em Porto Alegre, é mais do que um desafio esportivo: é o cumprimento de uma promessa feita à mulher antes dela morrer, vítima de câncer .

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Eles sonhavam em conhecer o mundo juntos, explorando estradas e cidades. A vida não permitiu que realizassem o plano. Antes dela morrer, vítima de câncer, Roger prometeu que faria a viagem pelos dois. Desde então, carrega no skate o símbolo desse pacto — uma borboleta azul tatuada, sinal que, segundo ela, usaria para se manifestar depois da partida.
O skatista conta que a perda o mergulhou em depressão. O esporte se tornou abrigo. “Pegava o skate, colocava o fone e ia até a orla do Guaíba. Era o único momento em que eu sentia paz”, disse. Dessa rotina nasceu a ideia de transformar as voltas ao pôr do sol em travessias longas.
Sem grandes planos, partiu para Florianópolis com a intenção de dar a volta na ilha. O improviso virou método. Agora, com mapa e coragem, Roger cruza o Sul do Brasil em direção ao Uruguai e, depois, à Argentina.
Formado em educação física e ex-funcionário de uma empresa hospitalar, Roger deixou o emprego após dez anos. “Tinha tudo, mas não era feliz. Vivia cercado de lembranças. Quis recomeçar.” Escolheu o Ushuaia por ser o “fim do continente”, o ponto mais ao sul que poderia alcançar.
No trajeto, Roger divulga o projeto em seu canal Skate Nômade, nas redes sociais @skate.nomade. Lá, registra o que vê, sente e aprende. “Não espero que as pessoas me deem nada. O importante é o caminho, as histórias, o amor que a gente espalha.”
A viagem segue. O destino final está traçado. Mas, para ele, o que realmente importa é o percurso — e a certeza de que, a cada quilômetro, a borboleta azul voa junto.



