O engenheiro da AUD, Everton Fonseca, afirmou na manhã desta quarta-feira (10), em entrevista à Rádio Acústica FM, que o alagamento no bairro Getúlio Vargas não pode ser atribuído diretamente à duplicação da BR-116. A chuva de 250 milímetros registrada na terça-feira (9), em Camaquã, pode ter ultrapassado a capacidade de qualquer sistema de drenagem.

Fonseca, que é experiente na gestão das águas do Arroio Duro e perímetros de irrigação, explicou que a empresa responsável pela obra executa um projeto definido pelo Governo Federal e não pode ser responsabilizada por todas as consequências da cheia. O engenheiro destacou ainda que a posição de algumas casas contribuiu para a inundação. “Tem casas que não poderiam estar ali”, disse.
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Apesar disso, Fonseca acredita que os gabiões instalados para proteger a cabeceira da ponte podem alterar a velocidade do escoamento e influenciar o nível da água na Sanga do Passinho. Segundo ele, o volume acumulado acima da ponte, no sentido da Getúlio Vargas, superou o registrado após a travessia. “Isso é consequência de estrangulamento”, afirmou.
Moradores e a prefeitura questionam se a nova estrutura afunila a passagem da água. O responsável do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) na Zona Sul, Vladimir Casa, visitou o local na terça-feira (9) e disse não acreditar que a obra provoque retenção do fluxo.

Na tarde desta quarta-feira, técnicos do DNIT e representantes da prefeitura se reuniram para tratar do tema. No encontro, o prefeito Abner Dillmann (PSDB) cobrou do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes um estudo técnico sobre os efeitos da intervenção na Sanga do Passinho. A administração municipal considera o diagnóstico essencial para definir eventuais correções e garantir a segurança dos moradores.




