Tecnologia

TikTok indica conteúdo explícito a crianças, denuncia ONG

Investigação revelou as indicações mesmo com configurações de segurança ativadas

Um novo relatório da Global Witness, uma organização de defesa dos direitos humanos, aponta que o algoritmo do TikTok está recomendando pornografia e material sexualmente explícito para contas de crianças. A investigação revelou que, mesmo com as configurações de segurança ativadas, perfis falsos criados para simular adolescentes de 13 anos receberam sugestões de busca com termos abertamente sexuais. Tais indicações direcionaram os pesquisadores a vídeos de conteúdo sexual, inclusive imagens de penetração, demonstrando uma falha grave na proteção de menores.

TikTok indica conteúdo explícito a crianças, denuncia ONG
Foto: Ilustração/Pixabay

TikTok indica conteúdo explícito a crianças, denuncia ONG

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Os pesquisadores da organização criaram quatro contas de teste entre julho e agosto deste ano. Eles usaram datas de nascimento que as identificavam como usuários de 13 anos, sem que a plataforma solicitasse qualquer outra confirmação de identidade para os perfis. A Global Witness é um grupo ativista conhecido por investigar a influência de grandes empresas de tecnologia em debates sobre direitos humanos e democracia. Suas descobertas reforçam a preocupação de que a plataforma não está apenas permitindo o acesso de crianças a vídeos inadequados, mas ativamente sugerindo-os.

A Global Witness acionou a plataforma, que se manifestou publicamente, afirmando ter um “compromisso total em fornecer experiências seguras e adequadas à idade” para os jovens usuários. A empresa alegou, inclusive, ter agido imediatamente após ser informada sobre o problema pela ONG. No entanto, quando o grupo repetiu o levantamento nos meses de julho e agosto, confirmou que o aplicativo de vídeos curtos continuava recomendando o conteúdo sexual, indicando que as medidas corretivas não foram eficazes ou suficientes.

O estudo detalhou que o “modo restrito” do TikTok, uma ferramenta que, teoricamente, impede que os usuários visualizem “temas adultos ou complexos, como… conteúdo sexualmente sugestivo”, foi facilmente contornado. Os pesquisadores, mesmo sem realizar buscas ativas, encontraram sugestões explícitas na seção “você pode gostar” do aplicativo. Os vídeos recomendados incluíam simulação de masturbação e exibição de roupas íntimas em locais públicos. Em casos mais graves, o conteúdo era de filmes pornográficos com sexo explícito, incorporados a materiais aparentemente inofensivos para driblar a moderação, uma estratégia de evasão da fiscalização da plataforma.

Segundo Ava Lee, da Global Witness, as descobertas foram um “grande choque” para a equipe de investigação, pois o aplicativo não está apenas “falhando em impedir que crianças acessem conteúdo inapropriado”, mas está, na verdade, sugerindo esses materiais assim que a conta é criada. O TikTok, por sua vez, defendeu-se, mencionando ter mais de 50 recursos de segurança para adolescentes e removendo 9 em cada 10 vídeos que violam suas diretrizes antes da visualização. A empresa disse ter feito “melhorias” no recurso de sugestão de pesquisa após ser alertada pela ONG.

A segurança da plataforma já é objeto de outras contestações. Uma denúncia recente, com base em processo movido pelo Estado americano de Utah, afirma que a empresa ignorou a exploração de crianças e adolescentes em transmissões ao vivo para “lucrar significativamente” com a situação. O TikTok teria conduzido uma investigação interna em 2022 sobre o caso. A empresa rebate a ação, afirmando que a acusação desconsidera as “medidas proativas” que foram adotadas para aprimorar a segurança na plataforma de vídeos.

Tags: Celular, crianças, Tecnologia, TikTok