Presentes na água, no ar e até no solo, os microplásticos já foram encontrados em órgãos humanos. Isso tem acendido o alerta de cientistas sobre os riscos dessas partículas minúsculas para a saúde.
A preocupação chegou às celebridades. Recentemente, o ator Orlando Bloom revelou ter feito um procedimento para “limpar” o sangue de microplásticos. Mas, afinal, essa prática tem base científica?
Um procedimento sem comprovação
O método citado por Bloom se chama aférese. Ele consiste em retirar o sangue do paciente, filtrar ou centrifugar para remover certos elementos e depois reintroduzir no corpo. Costuma ser usado para tratar doenças autoimunes ou casos com proteínas e células em excesso.
Mas, segundo artigo publicado no The Conversation pelas professoras Rosa Busquets (Universidade de Kingston) e Luiza C. Campos (Universidade Global de Londres), o uso desse procedimento para eliminar microplásticos ainda não tem qualquer comprovação científica.
Filtro que pode contaminar
A ideia de que é possível “filtrar” o sangue como quem lava arroz pode até parecer lógica, mas não funciona assim. As máquinas usadas nesse tipo de procedimento são extremamente delicadas e, ironicamente, feitas com componentes plásticos.
Com o tempo e o uso repetido, esses materiais se desgastam. O resultado? Eles mesmos podem liberar microplásticos no sangue do paciente, agravando o problema.
Mais prevenção, menos modismo
As autoras do artigo alertam: não existem provas de que a aférese seja eficaz contra microplásticos. Por isso, qualquer promessa nesse sentido deve ser vista com desconfiança – ainda mais quando o próprio processo pode causar contaminação.
Antes de pensar em soluções rápidas ou modismos promovidos por famosos, a melhor saída é reduzir a exposição a essas partículas no dia a dia. O combate aos microplásticos começa muito antes de chegar à corrente sanguínea.




