Quando ingressou no Google, em 2007, a engenheira de software Rachel Grey encontrou um cenário difícil de imaginar hoje. A recepção aos novatos durava semanas, com direito a treinamentos exclusivos na sede da empresa, no Vale do Silício.
O clima era de inovação constante e benefícios generosos: refeições variadas, academias gratuitas, pacotes de ações, bônus extras e até apoio financeiro para aposentadoria. Transparência e diálogo interno eram marcas registradas, com a empresa revelando até detalhes de seus centros de dados.
Ao longo dos anos, Rachel viu esse cenário se transformar. Benefícios encolheram, menos informações eram compartilhadas e promessas éticas ficaram pelo caminho — como a de não empregar inteligência artificial em armamentos.
O orçamento para promoções diminuiu e cortes se tornaram comuns. Em abril deste ano, depois de quase 18 anos, ela se despediu do que já foi considerado o emprego perfeito.
Do sonho à pressão constante
Hoje, gigantes como Google, Apple, Meta e Netflix continuam oferecendo bons salários e regalias, mas perderam parte do charme. O ambiente ficou mais rígido, com cortes de pessoal, retorno forçado ao escritório e menos espaço para questionamentos internos.
A virada ocorreu entre 2022 e 2023, marcada pela compra do Twitter por Elon Musk e pelas demissões em massa que vieram na sequência — seguidas de cortes promovidos por outras empresas. A explicação oficial foi o excesso de contratações durante a pandemia, quando a demanda digital disparou.
Além disso, líderes passaram a reprimir debates internos. Sundar Pichai, CEO do Google, já deixou claro que a companhia não é espaço para disputas políticas ou pessoais. E, como se não bastasse, a inteligência artificial generativa começa a redesenhar as funções.
Mark Zuckerberg prevê que engenheiros de nível médio podem ser substituídos ainda este ano, enquanto Musk acredita que, no futuro, todos os empregos vão desaparecer.




