Dois anos após ser proibido no Brasil, o agrotóxico carbendazim praticamente sumiu da mesa do brasileiro. Um relatório da Anvisa confirmou que a retirada do produto das lavouras fez efeito: entre 2022 e 2023, nenhum traço da substância foi encontrado em alimentos analisados.
O levantamento faz parte do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos, que avaliou frutas, legumes e verduras consumidos no país. Também houve redução importante na presença do produto em amostras de água potável.
O carbendazim era usado há décadas nas plantações de soja, feijão e frutas. Mas estudos associaram o produto a sérios problemas de saúde, como câncer, mutações genéticas e má formação fetal. Por isso, em 2022, a Anvisa decidiu tirar o agrotóxico do mercado brasileiro.
Segundo o órgão, a decisão se manteve firme também porque existem alternativas mais seguras que cumprem bem o papel de controle de pragas nas lavouras.
Apesar dos bons resultados em nível nacional, o carbendazim ainda causa preocupação em uma região turística famosa: Bonito, em Mato Grosso do Sul. Um estudo divulgado em 2024 pela Fundação Neotrópica encontrou resíduos do agrotóxico em rios e córregos da cidade.
Foram detectados vestígios nos córregos Bonito e Anhumas e também no Rio Mimoso, todos na Bacia do Rio Formoso, que atrai milhares de turistas todos os anos. O alerta levou o Conselho de Meio Ambiente do município a organizar uma reunião extraordinária para discutir os riscos.
Soja avança e pressão aumenta
O aumento no uso de defensivos está ligado à expansão da agricultura na região. A área plantada com soja em Bonito cresceu quase 30% entre 2020 e 2023, segundo dados do Siga-MS. A conversão rápida de pastagens em lavouras tem exigido mais controle de pragas — e nem sempre de forma adequada.
Com base nos dados mais recentes, a Anvisa reafirmou que o carbendazim continua proibido no país. O órgão lembrou que, além de causar riscos à saúde, o produto não é mais necessário nas lavouras brasileiras.
Para a agência, o sumiço da substância dos alimentos é sinal de que a proibição está funcionando — e deve ser mantida com fiscalização constante, especialmente em regiões com uso intenso de agrotóxicos.




