Carros comuns, mas equipados com tanques escondidos, estão sendo usados em todo o Brasil para flagrar fraudes em postos de combustível. A ação faz parte do programa “Cliente Misterioso”, criado pelo Instituto Combustível Legal.
Esses veículos circulam como se fossem clientes comuns, mas armazenam até cinco amostras diferentes de gasolina, etanol e diesel. O material coletado vai para análise em laboratório, onde os técnicos verificam se o combustível segue os padrões exigidos.
Fraudes em destaque
De janeiro a agosto de 2025, foram avaliadas mais de 2.200 amostras em 13 estados. Um em cada quatro testes apresentou irregularidades. A gasolina lidera os casos de adulteração, seguida por diesel e etanol.
O problema mais comum é o excesso de etanol na gasolina. A lei permite até 30%, mas já foram encontradas amostras com 69%. Esse tipo de fraude aumenta o consumo, prejudica motores e pode inutilizar veículos que não são flex.
Além da qualidade, também surgem fraudes na bomba. Muitos consumidores recebem menos combustível do que pagaram, e em alguns casos a mesma amostra apresenta problemas de quantidade e composição.
Estados mais afetados
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso e Bahia concentram os maiores índices de irregularidades. O instituto afirma que as fraudes afetam a arrecadação de impostos, criam concorrência desleal e, principalmente, prejudicam o consumidor.
Os resultados do programa são repassados à Agência Nacional do Petróleo (ANP). A agência já realiza seu próprio monitoramento, mas ressalta que, apesar dos problemas, a adulteração atinge uma parcela pequena do mercado de combustíveis.




