O Rio Grande do Sul deve enfrentar mais um episódio de chuvas fortes neste fim de semana, o que pode agravar ainda mais os alagamentos e manter a situação crítica de rios já transbordando em várias regiões. O alerta é da MetSul Meteorologia, que prevê um quadro delicado principalmente na Metade Norte do estado.
A formação das instabilidades se deve ao contraste entre duas massas de ar: uma quente que avança em altitude sobre Santa Catarina e Paraná, e outra de ar polar que chega com força pelo Norte da Argentina. O choque entre essas correntes vai estimular pancadas de chuva de forte intensidade, além de temporais com raios e possibilidade de granizo no Sul do país.
Fim de semana deve concentrar maior volume
Os meteorologistas apontam que entre o fim do sábado e a manhã de domingo o risco de precipitação volumosa é mais alto. A chuva começa ainda na manhã de sábado em áreas do Norte gaúcho e se espalha para quase todo o estado à tarde, poupando apenas pontos da fronteira com o Uruguai.
No domingo, a chuva tende a ganhar força entre a madrugada e o início do dia, principalmente na Metade Norte. Já à tarde, as precipitações diminuem em muitos locais, embora ainda possam ocorrer chuvas isoladas em alguns pontos até o período noturno. Com a chegada do ar mais frio na segunda-feira, o tempo abre em grande parte do estado, mas áreas do Leste e Nordeste podem seguir com nebulosidade e garoa passageira.
Risco alto de novos alagamentos
A situação é ainda mais preocupante porque o solo já está saturado e os níveis dos rios como Guaíba, Sinos e Gravataí seguem muito acima do normal. Isso deixa as cidades vulneráveis a alagamentos severos, sobretudo na Grande Porto Alegre e nos vales, onde sistemas de drenagem não conseguem mais dar conta do escoamento.
Modelos meteorológicos apontam que algumas localidades podem registrar de 100 mm a 150 mm de chuva em apenas 12 horas — acumulados que correspondem a quase toda a média de junho. Regiões como Missões, Planalto Médio, Serra, Litoral Norte e Grande Porto Alegre estão entre as mais expostas a enxurradas.
Possibilidade de deslizamentos na Serra
Na Serra, o solo encharcado pelas chuvas recentes aumenta a chance de desmoronamentos e queda de barreiras em encostas e rodovias. A recomendação é para que moradores de áreas de risco fiquem atentos e motoristas redobrem a cautela em trechos com alta declividade.
Modelos do ECMWF, GFS, Icon e UKMET, de centros meteorológicos europeus e americanos, preveem acumulados de 100 mm a 150 mm em muitas cidades, podendo chegar a 200 mm de forma isolada. As simulações mostram maior probabilidade de chuva extrema entre o Norte e o Nordeste do estado.




