A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS começou os trabalhos em 20 de agosto e já bateu recorde. Em apenas um dia, foram apresentados 586 requerimentos. Entre eles, há convocações de autoridades, pedidos de documentos e solicitações de quebra de sigilo.
Do total, pelo menos 104 pedidos tratam da quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico. Um dos alvos é Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi, entidade sob investigação da Polícia Federal por supostos descontos indevidos em aposentadorias.
Autoridades na lista
Os requerimentos também incluem a convocação de ministros como Jorge Messias (AGU), Vinícius de Carvalho (CGU), Ricardo Lewandowski (Justiça) e Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência. Ex-presidentes do INSS também podem depor. O deputado Rogério Correia (PT-MG) chegou a protocolar um pedido de convocação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A instalação da CPI mostrou a força da oposição. O grupo conseguiu barrar Omar Aziz, aliado do Planalto, e colocar Carlos Viana (Podemos-MG) na presidência. O relator será Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). O governo foi pego de surpresa e agora tenta conter o desgaste em ano pré-eleitoral.
A força da oposição
O grande volume de pedidos partiu de parlamentares oposicionistas. Só o senador Izalci Lucas (PL-DF) protocolou 304 requerimentos, mais da metade do total. A repetição de temas pode prolongar a análise e travar votações.
A CPI tem como base a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2025. A ação cumpriu 211 mandados de busca e apreensão e 6 prisões temporárias em 13 estados e no Distrito Federal. O foco foi um esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários feitos por entidades conveniadas ao INSS.
Auditorias e relatos
Antes da operação, a CGU já havia detectado o aumento no número de convênios e nos valores descontados. Foram auditadas 29 entidades e ouvidos 1.300 aposentados, que relataram descontos não autorizados. O material serviu de base para a investigação da PF.
Especialistas apontam que a comissão pode ter repercussão judicial e política. As convocações de figuras ligadas tanto ao governo quanto à oposição devem acirrar o clima e transformar a CPI em um palco de embates. Para analistas, a enxurrada de requerimentos mostra a gravidade do caso, mas também a disputa por espaço político.




