Faltando menos de duas semanas para o início da colheita, produtores de manga no Brasil enfrentam um impasse. As exportações para os Estados Unidos, principal destino da fruta, estão suspensas. A decisão é reflexo da possível aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
Com isso, entre sete mil e dez mil hectares de pomares destinados à exportação podem ficar sem destino. O volume afetado equivale a cerca de 2.500 contêineres que seriam enviados para o mercado americano ainda neste mês.
Fruta pode acabar ficando no pé
A produção, concentrada no Vale do São Francisco, entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), segue um protocolo sanitário específico para atender às exigências dos EUA. Sem definição sobre a taxação, a insegurança toma conta dos exportadores.
Dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas) mostram que o mercado dos EUA respondeu por 7% das frutas exportadas pelo Brasil em 2024. Quando se trata apenas de manga, esse número sobe para 14%.
Os meses de agosto a outubro representam a janela de exportação da fruta para os americanos. Neste ano, com os embarques programados para o fim de julho, a incerteza sobre a cobrança da tarifa compromete o início do ciclo.
Apesar de toda a estrutura estar montada — embalagens compradas, espaços reservados nos navios —, a fruta ainda não está no ponto de colheita. Isso impede qualquer tentativa de antecipar o envio, já que a manga é altamente perecível e não permite estoque.
Outras frutas também podem ser afetadas
A insegurança não atinge apenas a manga. Uvas, melões, melancias e frutas processadas — como o açaí — também têm forte dependência do mercado americano. Juntas, essas três categorias representam 90% do total exportado pelo Brasil para os Estados Unidos, somando US$ 134,9 milhões ao ano.
Embora parte da safra dessas frutas seja enviada para a Europa, a manga depende fortemente dos EUA. Por isso, o impasse atual preocupa todo o setor produtivo da fruticultura irrigada no Nordeste.




