Durante o Pleistoceno Médio e Superior, entre 400 mil e 40 mil anos atrás, os neandertais viveram na Europa e em partes da Ásia. Chegaram a compartilhar territórios com os primeiros Homo sapiens, mas desapareceram sem que a ciência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o motivo.
Um estudo recente, publicado na revista Science Advances, apresenta uma hipótese curiosa: a atividade solar teria desempenhado um papel importante nesse processo.
Roupas e proteção solar primitivas
De acordo com a pesquisa, os Homo sapiens podem ter sobrevivido por adotarem roupas mais justas e usarem um protetor solar natural, o ocre — pigmento à base de óxido de ferro, comum na arte rupestre, que também oferecia proteção contra a radiação.
Já os neandertais, embora também usassem peles de animais, preferiam peças mais largas, o que poderia ter deixado a pele mais exposta. Essa diferença de vestimenta, somada ao aumento da radiação ultravioleta, teria contribuído para problemas de saúde e, possivelmente, para o desaparecimento da espécie.
Um enfraquecimento que mudou tudo
Os pesquisadores apontam que, no mesmo período, ocorreu um fenômeno chamado Laschamps, marcado pelo enfraquecimento do campo magnético terrestre. Isso teria deixado o planeta mais vulnerável à radiação solar, afetando principalmente regiões até 40 graus de latitude, tanto ao norte quanto ao sul.
Além de aumentar a exposição à radiação, o evento alterou nuvens, ventos e regimes de chuva. Segundo os cientistas, não foram apenas os neandertais que desapareceram nessa época: outras espécies também sucumbiram às mudanças ambientais.




