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Por que o que vem no pacote pode ser mais perigoso do que imagina

Por Júlia Martins
20/07/2025
Em Variedades

Nem sempre o que parece inofensivo de cara é, de fato, seguro. E isso vale também para o que comemos. Muita gente ainda acredita que a obesidade está ligada apenas à falta de exercício, mas o buraco é bem mais embaixo — e começa, principalmente, naquilo que vem dentro dos pacotes.

Açúcar é açúcar, certo? Nem tanto. A sacarose, presente no nosso açúcar de mesa, é feita de duas partes: glicose e frutose. Essa última, apesar de estar nas frutas, pode se tornar um veneno metabólico quando consumida em excesso.

No corpo, a frutose interfere diretamente no funcionamento das mitocôndrias, atrapalha o uso das reservas de gordura e incentiva a formação de novos estoques. O resultado? Um caminho aberto para obesidade e diabetes.

Industrializados: o problema não é o rótulo

Falar que o alimento é “industrializado” não quer dizer muita coisa. O problema real está no que ele contém. Muitos produtos ultraprocessados são carregados de calorias vazias e açúcar — principalmente frutose — em quantidades muito acima do que o corpo precisa.

Refrigerantes, bolos e doces concentram doses industriais de frutose em pequenas porções. Para efeito de comparação: uma banana tem cerca de seis gramas de frutose, enquanto uma lata de refrigerante chega a 20 gramas.

Frutas são naturais, mas nem sempre inofensivas. Já os industrializados, tão demonizados, podem ser menos prejudiciais do que imaginamos, dependendo da composição. O rótulo “natural” não é garantia de saúde, assim como o “processado” não significa veneno. A chave está no conhecimento.

O estudo que gerou polêmica

Um levantamento feito pelo pesquisador Herman Pontzer, da Universidade Duke, apontou que a obesidade tem mais ligação com a alimentação do que com a prática de exercícios. A mídia adorou, claro. A notícia parece dar passe livre para quem não curte suar a camisa.

Só que um olhar mais atento nos dados do estudo mostra outra realidade: pessoas de países industrializados, mesmo com corpos semelhantes, gastam menos energia do que quem vive em comunidades rurais. Ou seja, se a alimentação fosse igual, a menor queima calórica já explicaria o ganho de peso.

Júlia Martins

Júlia Martins

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