O Rio Grande do Sul assiste a um dos maiores protestos agrícolas de sua história. Desde maio, milhares de produtores rurais têm tomado as ruas de dezenas de cidades para cobrar do governo federal medidas urgentes que ajudem a renegociar dívidas que já somam R$ 72 bilhões.
Nos últimos cinco anos, o estado enfrentou quatro estiagens severas e, em 2024, sofreu com a maior enchente já registrada. Esses eventos climáticos destruíram lavouras e comprometeram colheitas, deixando centenas de milhares de agricultores em situação crítica.
Dívidas se tornam impagáveis
Além das perdas no campo, produtores acumulam dívidas com bancos, cooperativas, concessionárias de máquinas e fornecedores de insumos. A maioria não consegue renegociar os débitos, pois instituições financeiras descumprem normas do Manual do Crédito Rural e oferecem apenas créditos comerciais com juros elevados, que variam de 1,5% a 3% ao mês.
Para tentar amenizar a crise, tramita no Congresso Nacional um projeto de securitização das dívidas. A proposta transforma os débitos em títulos garantidos pelo Tesouro, possibilitando parcelamento em condições especiais. A iniciativa já passou pela Comissão de Agricultura do Senado e agora aguarda análise na Comissão de Assuntos Econômicos.
Tratores tomam as ruas
Em Passo Fundo, na última sexta-feira (6), mais de 500 tratores participaram de protestos históricos. Agricultores denunciam a falta de diálogo com o governo federal e cobram a aprovação do projeto como única saída para reorganizar as finanças, manter as atividades e evitar o colapso do agronegócio no estado.
Enquanto as negociações não avançam, aumenta a pressão psicológica sobre produtores. Alguns vendem bens para seguir plantando, e casos de suicídio foram registrados, segundo representantes da Associação dos Produtores e Empresários Rurais. O movimento deve continuar até que as autoridades apresentem soluções para a maior crise do campo gaúcho em décadas.




