A Corsan, empresa que detém a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Camaquã, adquiriu uma área às margens da BR-116, entre os dois trevos acesso a cidade, para a construção da futura Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do município.

O terreno será utilizado como base do sistema de esgotamento sanitário, etapa considerada fundamental para que Camaquã deixe o índice zero de tratamento de esgoto e passe a cumprir as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento Básico. A legislação determina que, até 2033, 90% da população brasileira tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto.

A escolha da área às margens da BR-116 leva em consideração critérios técnicos, como logística, viabilidade operacional e possibilidade de expansão futura do sistema. No local, será implantada a estação que receberá os efluentes coletados nas redes de esgoto e realizará o tratamento antes do lançamento final.
As obras da primeira etapa estão previstas para iniciar no segundo semestre de 2026.
Primeira fase atenderá Cohab e Olaria
Com investimento inicial de R$ 23 milhões, o projeto prevê, além da construção da estação, a implantação de 22,7 quilômetros de rede coletora na chamada Bacia 1, beneficiando cerca de 2,5 mil moradores dos bairros Cohab, Olaria e Getúlio Vargas.
Na fase inicial, a estação terá capacidade para tratar 50 litros de esgoto por segundo, com previsão de entrada em operação em até 18 meses após o início das obras. Posteriormente, uma segunda estrutura idêntica será instalada, ampliando a capacidade para 100 litros por segundo.
O sistema também contará com uma estação de bombeamento com capacidade de até 150 litros por segundo, responsável por encaminhar os efluentes até a ETE.
Investimento total pode chegar a R$ 195 milhões
Até 2033, o investimento total previsto para o sistema de esgotamento sanitário em Camaquã é de R$ 195 milhões. O valor contempla a ampliação da rede coletora para outras regiões da cidade e a implantação de novas estruturas de bombeamento.
Atualmente, o município adota sistema simplificado de tratamento, com fossa séptica e filtro anaeróbio, e o efluente acaba sendo direcionado à rede pluvial, chegando a cursos d’água como a Sanga do Passinho, o Arroio Duro e o Capitão Jango.

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Fiscalização municipal
Para acompanhar e fiscalizar a execução do contrato de concessão, a Prefeitura criou o Departamento de Saneamento Básico, liderado pelo engenheiro Rafael de Moura. O setor é responsável por monitorar o cumprimento das metas e a evolução das obras previstas no plano de universalização do saneamento.
O avanço do projeto é considerado estratégico não apenas do ponto de vista ambiental, mas também financeiro. O descumprimento das metas do Marco Legal pode gerar sanções administrativas e dificultar o acesso a recursos federais e financiamentos por meio de instituições como Caixa Econômica Federal e BNDES.
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