O delegado Cassiano Cabral, do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), detalhou na terça-feira (26), em entrevista à Rádio Acústica FM, a operação que apura corrupção no Presídio de Camaquã. Nove policiais penais estão sob investigação por envolvimento em um esquema que teria funcionado entre 2020 e 2023, com recebimento de propina para entrada de celulares e drogas na cadeia, além da manipulação de transferências de presos.

Dos nove policiais investigados, cinco foram afastados.
Como funcionava o esquema de propina no Presídio de Camaquã
Segundo Cabral, a investigação teve início na Delegacia de Polícia de Camaquã e depois foi assumida pelo Decap, especializado em crimes contra a administração pública. As primeiras denúncias vieram de diferentes fontes: policiais penais que não compactuavam com o esquema, visitantes e até mesmo presos. Um dos apenados, temendo represálias, iniciou processo de colaboração premiada.
As apurações apontaram a existência de um “sistema de corrupção” que operava independentemente de facções criminosas.
Entre as atividades ilícitas identificadas estavam:
- introdução de celulares e drogas na prisão mediante pagamento;
- recebimento de valores para facilitar a transferência de ao menos um detento de outra unidade para Camaquã;
- repasse de informações por parte de um servidor da Prefeitura Municipal de Camaquã.
A gestão municipal solicitou maiores informações para proceder com as medidas cabíveis em relação ao servidor supostamente envolvido.
Métodos de investigação e provas coletadas
Para comprovar as denúncias, a Polícia Civil utilizou análise bancária e interceptações telefônicas. Esses elementos forneceram provas consideradas robustas para subsidiar futuras ações penais.
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Na última sexta-feira (22), foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em Camaquã, Canguçu e Rio Grande. Além do presídio, agentes também estiveram em residências e locais de trabalho dos investigados.
Policiais penais afastados
Dos nove policiais penais investigados, cinco já foram afastados de suas funções pela própria Coordenação da Polícia Penal. De acordo com Cabral, entre os suspeitos estão servidores que ocuparam cargos de chefia de segurança na casa prisional.
Próximos passos da investigação
O delegado informou que o inquérito deve ser concluído em breve, após a análise do material apreendido, o cruzamento com investigações internas da Corregedoria da Polícia Penal e a realização de novas oitivas. “O objetivo é entregar um inquérito consistente, que permita ao Ministério Público e ao Judiciário conduzir ações penais capazes de resultar em condenação”, afirmou Cabral.
A Polícia Civil reforça que denúncias sobre corrupção podem ser encaminhadas ao e-mail oficial: [email protected].




