A combinação devastadora de fortes temporais, queda de fiação e a demora no retorno do fornecimento de energia elétrica, provocou uma onda de revolta e mobilização na zona rural do Centro-Sul do Rio Grande do Sul. Em Chuvisca e municípios vizinhos como Camaquã, Dom Feliciano, Cristal e São Lourenço do Sul, centenas de famílias e produtores rurais enfrentam um apagão persistente que já dura vários dias, acumulando perdas materiais e prejuízos severos na agricultura.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
Moradores de Chuvisca organizam manifestações
Diante da falta de previsão e de respostas por parte da concessionária, a comunidade da localidade de Guarachain da Serra decidiu agir por conta própria. Na ERS-350, dezenas de moradores se reuniram no final da tarde desta terça-feira (22) e também na manhã desta quarta-feira (23), para manifestar a indignação com a paralisação do fornecimento de energia. Com as próprias mãos e equipamentos particulares, os próprios agricultores removeram um eucalipto de grande porte que havia caído sobre a rede elétrica a poucos metros da pista. Segundo os manifestantes, o local apresentava fácil acesso para as equipes técnicas, bastando ainda o isolamento do trecho e o conserto da fiação por parte da companhia de abastecimento para restabelecer a eletricidade na maior parte da região.
A insatisfação se estende à comunicação com a empresa. Canais formais de atendimento, protocolos e até contatos diretos com a gerência regional não resultaram em prazos concretos para a normalização do serviço. Em informação enviada à Rádio Acústica FM, a CEEE Equatorial informou que registrava vários pontos de interrupção na área atingida pelo temporal e que mantinha equipes em campo para reparar os estragos causados pelas intempéries do clima.
Impacto Severo na Lavoura de Tabaco e Custos Extras
A falta de energia elétrica atinge em cheio a economia regional, fortemente dependente da agricultura familiar. A cultura do tabaco — pilar econômico de municípios onde o setor primário representa a quase totalidade da receita municipal — vive momentos cruciais durante a fase de secagem nas estufas. Sem eletricidade constante para os motores e sistemas de ventilação, folhas em processo de cura apodrecem, deteriorando a qualidade final da safra.
Para tentar conter os danos, agricultores recorrem ao uso de geradores a combustível. No entanto, o custo financeiro é elevado: o consumo diário chega a 25 litros de gasolina por propriedade, gerando um custo extra expressivo e incerto quanto ao ressarcimento. Além disso, o funcionamento contínuo dos aparelhos impõe riscos de superaquecimento, forçando paradas periódicas que não impedem a perda de valor do produto.
Alimentos Perdidos e Novas Mobilizações
Nas residências, a rotina foi completamente alterada. Moradores relatam a perda de itens básicos de alimentação mantidos em geladeiras e freezers, além de dificuldades de comunicação devido à instabilidade do sinal de telefonia móvel e da internet residencial.
Diante da permanência do desabastecimento, novos protestos pacíficos foram organizados junto ao pórtico de acesso ao município de Chuvisca. A população cobra ação imediata do poder público e das autoridades regulatórias para fiscalizar a prestação de serviço da concessionária de energia e garantir suporte produtivo aos afetados.




