Uma cena que não se via há anos voltou a acontecer em Alagoas: em janeiro, 20 papagaios-chauá (Amazona rhodocorytha) foram soltos em uma reserva de mil hectares em Coruripe, a 86 km de Maceió. Extintos na região, eles fazem parte de um esforço para restaurar a fauna original da Mata Atlântica local.
Nos próximos meses, outros animais devem se juntar aos papagaios: jabutis, macucos (Tinamus solitarius) e até o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), espécie símbolo da conservação no estado. A meta é reconstituir o equilíbrio do ecossistema e permitir que a floresta se regenere com ajuda desses animais, que desempenham papel essencial na dispersão de sementes.
Os resultados do projeto ARCA, apoiado pela Fapesp, foram apresentados no Fórum Brasil-França sobre Florestas e Biodiversidade, realizado de 16 a 18 de junho no Museu Nacional de História Natural, em Paris. O encontro integrou a programação da Fapesp Week França, iniciada em Toulouse.
Animais ajudam a salvar a floresta
A soltura de aves e jabutis criados em cativeiro é essencial para manter a floresta viva, enquanto os pesquisadores trabalham em programas de reconexão dos fragmentos de mata. A ideia é transformar a área em um modelo de recuperação que possa ser replicado em outros pontos da Mata Atlântica.
O caminho para converter essas áreas em reservas florestais envolveu longas negociações com donos de terras, Ministério Público e ONGs. Como a maioria dos fragmentos em Alagoas pertence a usinas de açúcar, os pesquisadores buscaram convencer os proprietários a criar Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que permitem manter a titularidade da terra enquanto protegem a vegetação nativa.
Um obstáculo era o custo para registrar essas áreas em cartório, mas os pesquisadores conseguiram que as taxas fossem isentas após diálogo com o MP. Desde o início do projeto em 2018, foram criados mais de 5 mil hectares de áreas protegidas em Alagoas, beneficiando 80% das espécies endêmicas e ameaçadas da região, incluindo o mutum-de-alagoas — ave de grande porte que havia desaparecido da natureza há quatro décadas devido à caça.




