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Fermentação de pitaya revelou grande potencial para tratamento de inflamação

Por Júlia Martins
10/08/2025
Em Variedades

A pitaya vermelha, conhecida por suas propriedades saudáveis, vem atraindo atenção da ciência. Rica em antioxidantes como betacianina e rutina, a fruta tem sido estudada por seu possível papel no tratamento de doenças inflamatórias intestinais.

Uma pesquisa da USP mostrou que a polpa da pitaya vermelha fermentada com probióticos Lacticaseibacillus paracasei F-19 e Bifidobacterium animalis BB-12 dobrou a expressão do gene ATG16L1.

Esse gene é responsável pela autofagia, processo que elimina componentes celulares danificados e ajuda a controlar inflamações, especialmente no intestino. Os testes foram feitos em células de câncer do cólon cultivadas em laboratório.

Novo caminho para ativação do gene, sem vitamina D

Um dos destaques do estudo foi descobrir que o gene ATG16L1 foi ativado sem precisar da participação do receptor de vitamina D (VDR). Até então, acreditava-se que o VDR fosse fundamental nesse processo.

O receptor VDR está presente em quase todas as células do corpo, principalmente no intestino. Ele atua como um “interruptor genético”, regulando genes ligados à imunidade, multiplicação celular e autofagia. A descoberta abre portas para o uso de alimentos fermentados na regulação da saúde celular por vias inéditas.

O estudo usou células HCT-116, derivadas de tumor de cólon, por serem um modelo importante para investigar saúde intestinal. Essas células expressam naturalmente o receptor VDR, o que permite analisar a resposta do intestino em processos inflamatórios.

Compostos bioativos e efeito anti-inflamatório

A pitaya vermelha é rica em betacianinas — pigmentos que dão à fruta sua cor rosa-avermelhada — e rutina, um flavonoide com propriedades anti-inflamatórias. Pesquisas anteriores já mostraram que o extrato da fruta reduz danos no cólon e diminui marcadores inflamatórios.

Os probióticos usados também melhoram a microbiota intestinal e fortalecem o sistema imunológico.

Enquanto algumas cepas probióticas estimulam o VDR, no caso da pitaya fermentada com F-19 e BB-12 isso não ocorreu. A hipótese é que a rutina não tenha se transformado em quercetina, composto que ativa o receptor.

Outra possibilidade é que a fermentação tenha criado substâncias que inibem o VDR. A relação exata entre microrganismos, VDR e inflamação ainda está sendo estudada.

A principal descoberta foi o aumento da ativação do gene ATG16L1 pela pitaya fermentada, independentemente do receptor de vitamina D. Isso indica um mecanismo alternativo para controlar a autofagia e sugere usos inovadores para alimentos fermentados na promoção da saúde.

A fermentação também elevou os níveis de betacianina e manteve sua estabilidade por até 28 dias, valorizando o produto. Além disso, a cepa F-19 gerou o 2-feniletanol, composto com propriedades antifúngicas, antimicrobianas e aroma floral semelhante ao de rosas.

Esse composto pode ser aplicado nas indústrias cosmética, farmacêutica e alimentícia, ampliando o potencial da pesquisa.

Júlia Martins

Júlia Martins

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