Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelou algo impressionante: três pequenas ilhas no meio do Oceano Atlântico abrigam 44 espécies de peixes recifais que não existem em nenhum outro lugar do mundo. A pesquisa foi publicada na última quarta-feira (16), na revista britânica Proceedings of the Royal Society B.
As ilhas analisadas — São Pedro e São Paulo, Ascensão e Santa Helena — estão localizadas na Dorsal Mesoatlântica, uma cadeia de montanhas submarinas. São formações geologicamente isoladas, e algumas espécies ali registradas parecem ser até mais antigas do que a própria ilha de Ascensão, cuja origem é estimada em cerca de um milhão de anos.
Ao todo, essas ilhas concentram 169 espécies de peixes recifais. Dessas, 44 são endêmicas, ou seja, só existem ali. Os dados vieram de análises moleculares e filogenéticas, conduzidas por pesquisadores da UFSC, da UFRJ, da USP e da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU).
Peixes viajantes e adaptados ao isolamento
Segundo o estudo, 70% das espécies não endêmicas vieram do Atlântico Oeste — especialmente do Brasil e do Caribe. Mas o mais surpreendente é que um terço das espécies únicas parece ter vindo do Atlântico Leste, enquanto 11% têm raízes ainda mais distantes, no Oceano Índico.
Esses peixes têm características que os tornam verdadeiros viajantes do mar. Muitos depositam ovos pelágicos — que flutuam por semanas — e são capazes de se deslocar por longas distâncias agarrados a algas ou troncos. Também costumam ser maiores e habitar profundidades maiores que os recifes costeiros tradicionais.
Os pesquisadores acreditam que ainda há muito a descobrir. Recifes localizados entre 80 e 120 metros de profundidade, conhecidos como mesofóticos, ainda estão pouco explorados. Por estarem fora do alcance do mergulho com equipamentos tradicionais, tornam-se uma fronteira promissora.




