O preço médio da carne moída nos supermercados norte-americanos atingiu um novo recorde histórico. Em junho de 2025, o valor chegou a US$ 6,12 por libra, segundo dados oficiais do Bureau of Labor Statistics (BLS) divulgados pelo portal Beef Magazine.
Até então, o maior preço havia sido registrado no mês anterior, com US$ 5,98, e um ano antes estava em US$ 5,47. Especialistas apontam que a combinação de oferta reduzida e demanda aquecida mantém o mercado pressionado.
De acordo com Wesley Tucker, especialista da MU Extension/Missouri, anos de seca e baixa rentabilidade levaram produtores a diminuir o número de animais. Com pouca forragem no verão e feno no inverno, muitos tiveram de vender parte do rebanho e não puderam reter novilhas.
Segundo ele, boa parte do “coração” da produção – o rebanho de vacas – foi perdida. Os custos elevados de insumos também limitaram a possibilidade de expansão.
Brasil perde espaço no mercado norte-americano
As importações têm papel importante nesse cenário. Dados da Universidade Estadual do Mississippi mostram que a entrada de carne bovina nos EUA cresceu em 2025, especialmente da variedade “magra” usada em hambúrgueres. O Brasil foi o principal fornecedor no primeiro semestre, mas a tarifa para o produto saltou para 76%.
Analistas afirmam que a medida deve reduzir significativamente o volume importado do país. A lacuna deverá ser preenchida por fornecedores alternativos ou por carne magra doméstica, proveniente de vacas de descarte e touros.
O aumento do preço desses animais, porém, pode dificultar a retomada do tamanho do rebanho nos EUA, atrasando a recuperação da produção.
Apesar da alta, os norte-americanos continuam escolhendo carne bovina em vez de frango ou porco. Programas de dieta que priorizam proteína ajudam a manter a procura elevada. Para Tucker, trata-se de “uma tempestade perfeita” entre baixa oferta e forte demanda, levando aos valores recordes.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê nova alta em 2026. A produção deve cair 2,5%, atingindo 31,1 bilhões de libras — o menor volume desde 2019. Com as tarifas limitando as importações, a expectativa é que o consumidor pague ainda mais caro pela carne no próximo ano.




